segunda-feira, 14 de junho de 2010

Dilma: Brasil de Lula será governado com a alma e o coração de uma mulher




"Estamos celebrando o Brasil do Lula, que será governado com a alma e o coração de uma mulher", aifrmou a candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff, durante a Convenção Nacional do PT, neste domingo (13), em Brasília. Para Dilma, o Brasil precisa continuar mudando para melhor e que para isso é mais que simbólico que o PT e os partidos aliados estejam dizendo que “chegou a hora de uma mulher comandar o país”.


“Minha emoção é muito grande. Minha alegria também. Por esta festa tão cheia de energia, de confiança e esperança. Sei que esta festa não é para homenagear uma candidata. Aqui se celebra, em primeiro lugar, a mulher brasileira! Aqui se consagra e se afirma a capacidade de ser – e de fazer – da mulher brasileira. É em nome de todas as mulheres do Brasil - em especial de minha mãe e de minha filha - que recebo esta homenagem para ser a primeira mulher presidente da República”.

Dilma disse que o Brasil conquistou muitos avanços com o governo de Lula, mas é preciso avançar mais e ela quer ser a presidente da inclusão digital, da educação da qualidade. Agora, com Dilma, o país terá ainda mais oportunidades de reduzir a desigualdade de crescer para todos.

“Lula mudou o Brasil e o Brasil quer seguir mudando. A continuidade que o Brasil deseja é a continuidade da mudança. É seguir mudando, para melhor, o emprego, a saúde, a segurança, a educação. É seguir mudando com mais crescimento e inclusão social para que outros milhões de brasileiros saiam da pobreza e entrem na classe média. É seguir mudando para diminuir ainda mais a desigualdade entre pessoas, regiões, gêneros e etnias”, discursou.

Ela lembrou que nos governantes do passado davam atenção para um terço da população e os demais brasileiros eram um estorvo. “Historicamente, quase todos governantes brasileiros governaram para um terço da população. Para muitos deles, o resto era peso, estorvo e carga”, disse.

“Falavam que tinham que arrumar a casa primeiro [antes de distribuir renda aos mais pobres]. Falavam e nunca arrumavam. Porque é impossível arrumar uma casa deixando dois terços dos filhos ao relento, à margem do progresso e da civilização. Resultado: o Brasil era uma casa dividida, marcada pela injustiça e pelo ressentimento, que desperdiçava suas melhores energias, que é a energia do seu povo”, completou.

No governo Lula essa forma de governar mudou. O país passou a ser verdadeiramente de todos e os mais pobres conseguiram ter esperança. “Nós, do governo do presidente Lula, fizemos o contrário. Chegamos à conclusão de que só fazia sentido governar se fosse para todos. E provamos que aquilo que era considerado estorvo era, na verdade, força e impulso para crescer, para avançar a fazer desse um país de todos”.

Durante seu discurso, ela sentiu a força da militância petista pelas palmas, pelos cantos de olê, olê, olá, Dilma, Dilma, pelas bandeiras lilás tremulando no auditório e pela vibração da convenção do PT. Ao lado dos aliados, ela listou os avanços que pretende fazer no país em muitas áreas: saúde, educação, infraestrutura, democracia, planejamento urbano, segurança pública, inovação tecnológica. Ela ressaltou também a necessidade das reformas Política e Tributária.

Mulher presidente

Ao final do discurso, Dilma contou a história da mãe que pediu a ela num aeroporto que contasse para a filha, que se chama Vitória, que as mulheres também podem ser presidentes da República.

“É mais que simbólico que, nesse momento, o PT e os partidos aliados estejam dizendo: chegou a hora de uma mulher comandar o país. Estejam dizendo: para ampliar e aprofundar o olhar de Lula, ninguém melhor que uma mulher na presidência da República. Creio que eles têm toda razão. Nós, mulheres, nascemos com o sentimento de cuidar, amparar e proteger.

Somos imbatíveis na defesa dos nossos filhos e da nossa família”, disse.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O homem que aniversaria duas vezes, por Rui Albuquerque

Primeiro de abril de 2002. Ele passou manhã e tarde numa reunião sobre planejamento estratégico no PT (Partido dos Trabalhadores) em Sorocaba. Depois, foi curtir os filhos. Estava sentado no sofá vendo televisão quando apagou. Acordou no hospital Albert Einstein em São Paulo. Havia sofrido um acidente vascular cerebral hemorrágico. Foi operado pelo dr. Marcos Stavalli, que havia regressado naquela semana dos Estados Unidos, onde se especializara em cirurgias cerebrais. E recebeu uma boa notícia: "Deputado Hamilton Pereira, o que aconteceu foi um milagre. Acidentes como esse geralmente causam a morte, mas o senhor se recuperará e terá vida plena. Lembre-se em comemorar seu aniversário em mais uma data: 2 de abril, o dia em que o senhor renasceu".

Hamilton Pereira, deputado estadual, vai comemorar 56 anos no próximo dia 8 de julho. Comenta feliz o dia em que recebeu o "grande milagre". Quando acordou, estavam ao seu redor os deputados médicos Roberto Gouveia, do PT e Valter Feldmann, do PSDB, além da equipe médica do doutor Stavalli. Nela, um sorocabano, o dr. Francisco Carlos de Andrade Filho.

(Abro parêntesis aqui: Francisco é filho do cardiologista Francisco Carlos de Andrade, que Sorocaba conhece como doutor Neto ou Netinho. Desde que nasceu era chamado de Neto pela família. "Há alguns anos, acrescentou em cartório o Neto em seu nome até por questão de marketing", lembra o amigo Nilson Costa, dentista e humorista. Nilson entrou no jardim de infância aos 3 anos, junto com Neto. Sempre foram ligados. E brinca: "O Neto foi grande pivô no basquetebol sorocabano e tinha o apelido de Fuminho. Ele nunca fumou maconha, mas era moreninho... O seu irmão caçula, Marco Antonio de Andrade, médico ortopedista e grande atleta na juventude, ganhou o apelido de Furacão porque era um baixinho agitado, que deixava os adversários vendo brisa...")

Voltando ao Hamilton, ele mora há anos num pequeno condomínio do Jardim São Guilherme. Não tinha posses para arcar com o custo do "Albert Einstein": R$ 100 mil. Porém, os líderes dos partidos na Assembleia Legislativa se reuniram e pediram aos 94 deputados que autorizassem o desconto de 50 reais mensais, durante doze meses, em seus salários para ajudar o pagamento. 88 aderiram. Ainda, Luiz Inácio Lula da Silva veio a Sorocaba para participar de um jantar pró Hamilton Pereira, no Sorocaba Park Hotel, com adesão de mil reais por pessoa. Assim a conta foi paga.

Aí é que entra o melhor da história: Hamilton Pereira sempre foi combativo e, na Assembleia Legislativa, alguns debates pegam fogo. Muitos parlamentares chegam a se tornar inimigos, devido troca de ofensas. Como atuante do PT, ele viveu momentos de tensão com vários adversários. Ao voltar à Assembleia, ocupou a tribuna e falou sobre humildade, gratidão e amor. Agradeceu o companheirismo demonstrado por todos e chegou a derramar lágrimas pelo gesto generoso recebido, "acima de divergências pontuais ou interesses partidários". Quanto terminou o discurso, os deputados se levantaram e o aplaudiram longamente. Foi momento marcante e inesquecível naquela casa de leis.

Passagens assim raramente são contadas pela imprensa, mesmo reportando o que existe de melhor no ser humano. Eu gosto de lembrá-las, pois todos vivemos momentos fantásticos e que tornam a vida deliciosa, valorizada, apaixonante. Conhecendo-as, aumentamos nossa confiança nas pessoas e acreditamos num futuro sempre melhor.

*Publicado do jornal Bom Dia (26/05/2010)


Mercadante defende criação de região metropolitana de Sorocaba



Mercadante defende criação de região metropolitana de Sorocaba
O senador Aloizio Mercadante defendeu, na última quinta-feira (27/5), durante visita à Câmara Municipal de Sorocaba, a criação da Região Metropolitana de Sorocaba, projeto de autoria do deputado estadual Hamilton Pereira

segunda-feira, 12 de abril de 2010

PSDB partido de "massa" mais uma "massa" cheirosa!!!!!

Rio: a falta dos "profetas da ecologia"

Entre os dias 5-8 de abril do corrente ano, o Estado do Rio de Janeiro (a cidade e outras vizinhas, especialmente Niterói) conheceram a maior enchente histórica dos últimos 48 anos. Houve grandes alagamentos nas principais ruas, deslizamentos de encostas, subida de um metro e meio da aguas da Lagoa Rodrigo de Freitas provocada, em parte, pela elevação da maré que impediu o desaguar das águas pluviais. O mais terrível foi a morte de centenas de pessoas, soterradas por toneladas de terra, árvores, pedras e lixo.

Entre outras, três causas parecem as principais causadoras desta tragédia, que, de tempos em tempos, se abate sobre a cidade, encantadora por sua paisagem que combina mar, montanhas e floresta, associada a uma população alegre e acolhedora.

A primeira são as enchentes propriamente ditas, típicas destas áreas sub-tropicais. Mas ocorre um agravante que é o aquecimento global. A tragédia do Rio deve ser analisada no contexto de outras ocorridas no Sul do pais com tufões, prolongadas chuvas com enormes deslizamentos e centenas de vítimas e da cidade de São Paulo que durante mais de um mes seguido sofreu enchentes que deixaram bairros inteiros ininterruptamente debaixo de águas. Analistas apontaram mudanças nos ciclos hidrológicos causadas pelo aquecimento das águas do Atlântico, como vem ocorrendo no Pacífico. Este quadro tende a se repetir com mais frequência e até com mais intensidade à medida que o aquecimento global se agravar.

A tragédia climática trouxe à luz a tragédia social vivida pelas populações carentes. Esta é a segunda causa. Há mais de 500 favelas (comunidades pobres), dependuradas nas encostas das montanhas que serpenteiam a cidade. Elas não são culpadas pelos deslizamentos, como apontava o governador. Elas moram nestas regiões de risco porque, simplesmente, não tem para onde ir. Há uma notória insensibilidade geral pelos pobres, fruto do elitismo de nossa tradição colonial e escravagista. O Estado não foi montando para atender toda a população, mas principalmente as classes já beneficiadas. Nunca houve uma política pública consistente que inserisse as favelas como parte da cidade e por isso as urbanizasse, garantindo-lhes habitação segura, infra-estrutura de esgoto, água e luz e, não em último lugar, transporte. Sempre houve políticas pobres para os pobres que são as grandes maiorias da população e políticas ricas para os ricos. A consequência deste descaso se revela nos desastres que vitimam centenas de pessoas.

A terceira causa é a que eu chamaria de a falta de "profetas da ecologia". Observando-se ruas e avenidas inundadas, viam-se boaindo por sobre as águas, todo tipo de lixo, sacos cheios de rejeitos, garrafas plásticas, caixotes e até sofás e armários. Quer dizer, a população não incorporou uma atitude ecológica mínima de cuidar do lixo que produz. Esse lixo entupiu os bueiros e outros sugadouros de águas pluviais, o que provocou a subida repentina das águas torrenciais e seu lento escoamento.

Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, nos oferece um belo exemplo. Sob a orientação de um irmão marista, Antônio Cecchin, que há anos vem trabalhando nos meios pobres em volta da cidade, organizou centenas de catadores de lixo. Fez levantar cerca de vinte grandes galpões, perto do centro, na ponta da Ilha Grande dos Marinheiros, onde o lixo é selecionado, limpado e vendido a diferentes fábricas que o re-utilizam.

Conscientizou os catadores de que com seu trabalho estão ajudando a manter a cidade limpa para que seja um lugar em que se possa viver com alegria. Orgulhosamente os catadores escreveram atrás de cada carrinho, em grandes letras, o seu título de dignidade:"Profetas da Ecologia".

Assumiram como ideal as palavras de um de nossos maiores ecologistas, José Lutzenberger:"Um só catador faz mais pelo meio-ambiente no Brasil do que o próprio ministro do meio-ambiente". Se existissem estes "profetas da ecologia" no Estado do Rio de Janeiro, as enchentes seriam menos avassaladoras e centenas de vidas seriam poupadas.


Leonardo Boff é teólogo, autor de Cuidar da Terra - salvar a vida a sair pela Record (2010)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Oposição foge da comparação com o governo Lula como o diabo foge da cruz, diz presidente do PCdoB


Do UOL Notícias

Em Brasília

Em cerimônia de apoio à candidata do PT à sucessão presidencial, a ex-ministra Dilma Rousseff, o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, disse na noite desta quinta-feira (8) que a oposição foge da comparação com o governo Lula como o “diabo [foge] da cruz”. [...]

“O Brasil sob a regência do tucanato estava inadimplente. Quebrou três vezes, teve racionamento, desemprego aberto, crescimento e renda per capita semiestagnados e pesada vulnerabilidade externa. Não é por acaso que a oposição foge como o diabo da cruz de apresentar FHC. E nada de comparar esses dois tempos”, disse Rabelo.

Ao som de “Aquarela do Brasil”, Dilma foi ovacionada na noite de hoje no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, onde acontece o evento que oficializa o apoio do PCdoB à sua candidatura.

“O povo já decidiu é a Dilma, presidente do Brasil”, gritaram os cerca de 1.200 filiados que lotam o auditório.

Dilma foi recebida com flores vermelhas das mãos da recém-filiada do PCdoB, a cantora Leci Brandão. No palco estavam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente José Alencar, o presidente do PCdoB e os cantores Martinho da Vila e Netinho de Paula.

No texto em que divulga a resolução da plenária, o PCdoB diz que o apoio a Dilma é uma opção natural diante de “um confronto entre dois campos políticos antagônicos” e que as principais pré-candidaturas – Dilma e o pré-candidato José Serra (PSDB) - já anunciadas confirmam o “caráter plebiscitário do pleito”.

Dilma Rousseff agradeceu o apoio do PCdoB e chorou ao mencionar os “muitos que morreram no Araguaia”. “Hoje, para mim, é um dia muito especial. É um dia daquilo que gostamos e sabemos fazer: construir o futuro. E só pode construir o futuro quem soube lutar no passado”, afirmou a pré-candidata do PT.

*Com informações da Agência Brasil

Temos pouco tempo

Não temos muito tempo. Essa é a convicção de todos que participaram do Fórum Sobre Sustentabilidade, ocorrido em Manaus e promovido pelo Lide, evento que contou com a presença de grandes personalidades mundiais, como Al Gore e James Cameron.

Os focos da discussão foram a floresta amazônica e o seu papel primordial para a regulação do clima global. O crescimento dessa imensa cobertura vegetal absorve grandes quantidades de CO2. Além disso, por concentrar cerca de 15% da água doce líquida do mundo, a Amazônia, através da evotranspiração (processo que lança umidade na atmosfera pela evaporação da água do solo e pela transpiração da água das plantas), contribui para regular o regime pluviométrico e funciona como uma espécie de ar-condicionado do clima. Entretanto, o desmatamento descontrolado pode levar à “savanização” da Amazônia. Nesse caso, ela deixaria de ser esse “ar-condicionado” e passaria a funcionar como um “lançachamas”, com consequências desastrosas para o Brasil e para o mundo.

Há que se considerar que as árvores da Amazônia têm cerca de 100 bilhões de toneladas de carbono. Isso representa 15 anos do total de emissões mundiais (naturais e humanas) de gases do efeito-estufa. Assim, essa floresta é um importante ponto de equilíbrio do ciclo mundial do carbono. Ademais, a Amazônia detém boa parte da biodiversidade mundial, que espera para ser transformada em produtos revolucionários pela biotecnologia. A madeira não é a riqueza da Amazônia, a grande riqueza da Amazônia é a informação genética que está contida nessa madeira e em suas espécies vegetais.

O Brasil tem, portanto, o dever de cuidar bem desse patrimônio inestimável.

Mas também tem o dever de cuidar bem dos 24 milhões de brasileiros que lá vivem, a maioria pessoas pobres que precisam de renda e emprego. A chave para resolver essa difícil equação está no desenvolvimento sustentável. O Brasil e o mundo precisam caminhar urgentemente para uma economia verde, “descarbonizada”.

Entretanto, essa não é uma tarefa fácil, nem barata. As grandes economias mundiais têm, em geral, matriz energética suja. São viciadas em petróleo e carvão. E os países desenvolvidos devastaram todos os seus biomas. Reverter esse processo de degradação ambiental e fazer a reconversão para a economia verde demandará muito investimento e determinação política. Está claro também que o principal mecanismo internacional para lidar com a questão, o Protocolo de Quioto, que reúne apenas os países industrializados, tem se revelado insuficiente.

O Brasil, ao contrário, tem matriz energética limpa, baseada em hidrelétricas e no uso da biomassa. Ademais, temos ainda cerca de 80% das nossas florestas preservadas. Nosso único calcanhar de aquiles relativo ao meio ambiente é justamente o desmatamento, fonte de 65% das nossas emissões de CO2. Temos, portanto, todas as condições de sermos líderes no processo de criação de uma economia verde. Através de mecanismos financeiros como o do REDD (programa da ONU que financia a sustentação das florestas), poderíamos fazer, no curto prazo, que a floresta valha mais em pé do que derrubada, gerando serviços ambientais fundamentais para o clima mundial. E, com uma política tecnológica adequada, poderíamos explorar, no futuro, o imenso potencial biotecnológico da Amazônia. A floresta e seus habitantes precisam é de recursos, e não de denúncias muitas vezes demagógicas de quem não convive com sua realidade.

Há, contudo, um grande estrangulamento: falta dinheiro. Os países desenvolvidos comprometeram seus orçamentos com políticas anticíclicas para combater a crise. Têm déficits estratosféricos.

O fracasso de Copenhague está muito relacionado a isso. Assim, propus criar um fundo mundial com base na taxação de até 1% das importações internacionais, o que não teria qualquer efeito negativo nas economias.

Com potencial arrecadador de até US$ 100 bilhões/ano, tal fundo poderia custear essas atividades. Observe-se que, segundo o Greenpeace, a manutenção das florestas do planeta demandaria apenas cerca de US$ 40 bilhões/ano.

Soluções existem, mas temos de correr, ou o pouco tempo disponível as sepultará no cemitério das boas intenções.



ALOIZIO MERCADANTE é senador (PT/SP).


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Pratos vazios, o futuro da agricultura

Em especial na Science, cientistas pedem mudanças radicais na produção agrícola, de modo a suprir a demanda por alimentos em um cenário com população crescente, falta de áreas cultiváveis e aquecimento global

A estimativa é que a população mundial chegue a 9 bilhões em 2050. Mas, enquanto o número de pessoas não para de crescer, o mesmo não se pode dizer do total de áreas cultiváveis, de água potável e de outros recursos fundamentais para a sobrevivência humana.

A edição desta sexta-feira (12/2) da revista Science aborda o tema da segurança alimentar em uma seção especial, com reportagens e artigos produzidos por dezenas de cientistas de diversos países. As conclusões não são boas.

Mesmo com os avanços científicos e nas tecnologias agrícolas, o número de pessoas desnutridas já passou do 1 bilhão. Em um cenário como esse, como fazer para alimentar o mundo sem exacerbar problemas ambientais e, ainda por cima, tendo que lidar com a questão das mudanças climáticas?

Para o painel de cientistas que participou do especial, a resposta está na adoção de medidas radicais na produção de alimentos. Os pesquisadores pedem aos líderes mundiais que "alterem dramaticamente suas noções a respeito de agricultura sustentável de modo a prevenir uma fome de dimensões catastróficas até o fim deste século entre os mais de 3 bilhões de pessoas que vivem próximas à linha do equador", destacam.

Os pesquisadores clamam que os governantes "superem os conceitos populares contra o uso da biotecnologia agrícola", particularmente com relação a culturas modificadas geneticamente, de modo a produzir mais em piores condições, e que os países tomem como base de suas regulações no setor os
mais avançados trabalhos científicos.

"Estamos diante de uma queda de 20% a 30% na produção agrícola nos próximos 50 anos nas principais culturas entre as latitudes do sul da Califórnia e da Europa e a África do Sul", disse David Battisti, professor da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, e um dos cientistas que participaram do
especial na Science.

A produção nas mais importantes culturas agrícolas declina drasticamente quando as temperaturas médias passam dos 30º C, apontam. E as projeções são de que o fim do século, nas regiões tropicais e subtropicais, será de temperaturas mais elevadas do que as mais altas registradas atualmente.

"Estamos cada vez mais preocupados por não saber o que é preciso fazer para alimentar uma população crescente em um mundo que não para de se aquecer", disse Nina Federoff, conselheira para ciência e tecnologia da secretária de estado norte-americana, Hillary Rodham Clinton, outra autora do especial.

Mesmo sem o fator aquecimento global, segundo Battisti, alimentar uma população que crescerá 30% em 40 anos seria um desafio imenso. "Precisaríamos dobrar a produção atual de grãos nos trópicos", disse. O problema, afirma, é que o clima mais aquecido reduzirá a produtividade, uma vez que a temperatura elevada reduz a eficiência do processo fotossintético.

Os cientistas estimam que o aumento na temperatura, a queda nas chuvas e o aumento da ação de pestes e patógenos poderão derrubar a produção de alimentos nas regiões tropicais e subtropicais do planeta em pelo menos 20% até 2050. Ou seja, mais gente com muito menos comida.

Os outros autores do especial destacam medidas para tentar enfrentar a situação, tais como desenvolver sistemas que permitam produzir mais com menos terra, energia ou água e reduzir a poluição associada com os pesticidas agrícolas.

Battisti aponta que a chamada "revolução verde" na agricultura resultou em um aumento de 2% na produção anual nos últimos 20 anos, especialmente por meio do uso de novas variedades de plantas e do melhor uso da fertilização e da irrigação.

Mas, apesar desses avanços, há pouca - ou mesmo nenhuma, em muitos lugares - nova terra disponível para plantio. Por conta disso, mais inovações são necessárias para lidar com esse panorama adverso.

"Precisamos de muitas ideias criativas, de um melhor casamento entre biotecnologia e agricultura e de melhor coordenação entre esforços públicos e privados por todo o mundo. Temos que pensar nas demandas de longo prazo por alimentos e nas ramificações ambientais e sociais de como iremos produzi-los" , disse Battisti.

O artigo Radically Rethinking Agriculture for the 21st Century, de Nina

Federoff, David Battisti e outros (10.1126/science. 1186834), pode ser lido

por assinantes da Science (Vol. 327, 12/2/2010) em www.sciencem.ag.org

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Novo presidente toma posse no PT de Iperó

Hamilton Pereira participou da solenidade e do caráter plebiscitário que terá as eleições de 2010

O deputado estadual Hamilton Pereira (PT) participou na noite de quarta-feira (10/2) da solenidade de posse da nova direção executiva do PT de Iperó. O parlamentar compôs a mesa ao lado do presidente da Câmara Municipal, Sérgio Nery, do ex-presidente do diretório municipal, Renato Américo, do presidente empossado, Luis Alberto Popste, e do vice-presidente, Lino Leandro de Barros.

Hamilton Pereira afirmou que a eleição do presidente Lula é uma vitória do Partido, mas alertou para o fato de que a militância não deve se esquecer das dificuldades enfrentadas até que se alcançasse essa ‘conquista histórica'. "Lula é o primeiro presidente da república operário do Brasil e da América Latina", salientou Hamilton. "Muito preconceito foi enfrentado antes e mesmo depois da eleição de Lula", comentou.

Segundo o deputado o papel da militância é mostrar para a sociedade que a disputa a ser travada em 2010 é de dois projetos diferentes. "O Governo Lula tirou 4 milhões de brasileiros da linha de pobreza e outros 32 milhões ascenderam socialmente", defendeu Hamilton. "Já no estado de São Paulo, em 26 anos, o mesmo grupo político do qual faz parte o PSDB dilapidou o patrimônio público, temos um déficit habitacional de 800 mil moradias", completou.

O deputado lembrou ainda a projeção internacional que o presidente Lula tem garantido ao Brasil e sua defesa ‘intransigente' de que a criação de um fundo de combate à fome deve ser bandeira obrigatória em todas as convenções internacionais. "A crise econômica do final de 2008 foi o exemplo claro do fracasso da política neoliberal", afirmou Hamilton. "E nós não podemos permitir, de forma alguma, um retrocesso nesse processo que é fruto de 30 anos de construção de uma política de desenvolvimento com inclusão social", concluiu.


Sérgio Nery, que também apontou a eleição de Dilma Roussef como prioridade do Partido para 2010, lembrou ainda a necessidade de o PT eleger uma grande bancada de deputados estaduais e federais, assim como é importante para a região retomar uma cadeira na Câmara Federal através da eleição de Iara Bernardi. O vereador apontou ainda os avanços do Partido no legislativo iperoense, anunciando que em março deverá acontecer concurso público para contratação de funcionários próprios para a Câmara Municipal.

O vice-presidente eleito do Diretório Municipal lembrou que o partido reúne, localmente, representantes dos movimentos sociais, sindical e estudantil, entre outros. Segundo Lino, essa pluralidade tem garantido ao PT local condições de representar os interesses da sociedade de maneira abrangente. Ele também reforçou que as eleições representarão uma disputa de projetos. "Vamos trabalhar contra um projeto representado pelos que chamam de bolsa esmola, o maior programa de transferência de renda do mundo, que é o Bolsa Família", disse.

O presidente eleito fez diversos agradecimentos e apresentou alguns planos para o PT local como ampliar a bancada de vereadores petistas e chegar à Prefeitura em 2012. "Não vai ser fácil, mas vamos trabalhar muito para isso", afirmou Luis. Segundo ele, iniciativas necessárias para alcançar o objetivo de 2012 são: ampliar a presença do Partido nos movimentos sociais, criar os núcleos de bairro, manter a unidade partidária, construir uma política de alianças e aumentar o número de filiados.

"Eu e minha família somos testemunhas dos benefícios que o Governo Lula tem trazido para a população", afirmou Luis, referindo-se ao fato de o pai ser aposentado e receber salário mínimo, reajustado em 53,5% durante o Governo Lula. O presidente eleito também conseguiu um diploma de ensino superior através do Prouni. "Por isso, vamos dar o melhor de nós para continuar esse projeto", concluiu.


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

PT, 30 anos militante pelo Brasil

O PT completa hoje 30 anos. No dia 10 de fevereiro de 1980, gente das mais diferentes origens reuniu-se no colégio Sion, em São Paulo, para tomar a decisão que mudou a história política do Brasil. O PT na origem era um pequeno partido, com uma imensa vontade de crescer. O PT de hoje governa o Brasil, cinco Estados e mais de 500 prefeituras. Homenageamos todos os que tiveram a coragem de tomar essa decisão. Especialmente os que pagaram com a vida a determinação de lutar.

Três décadas construindo a democracia no Brasil, trajetória construída paulatinamente e marcada por luta pelos direitos sociais, defesa dos interesses nacionais, do desenvolvimento nacional e da integração latino-americana. No 30º aniversário, celebramos um partido democrático, popular e socialista que soube unir setores diferentes da esquerda democrática num projeto transformador da sociedade brasileira.

A ousadia de fundar um Partido dos Trabalhadores ocorreu num momento em que o sistema político bipartidário da ditadura estava esgotado, quando as lutas sociais, clamando por mudanças, exigiam novas opções partidárias. Sofremos críticas sobre supostas divisões no campo democrático, mas o tempo encarregou-se de confirmar a importância histórica do projeto do PT. Um partido que nasceu com um projeto de uma nova democracia política, oriundo das lutas sindicais e populares para construir um país justo e democrático, defensor de nossa soberania, de nossas riquezas e do interesse público.

A militância superou os desafios da montagem da estrutura do partido, enfrentando a legislação draconiana do governo militar. O partido cresceu de maneira orgânica e amadureceu até chegar à compreensão plena da importância estratégica das alianças, decisivas para quem quer realizar um projeto transformador.

Em sua trajetória histórica, como ente coletivo, o PT refletiu e mudou, mas nunca mudou de lado, como mostram as conquistas do governo Lula. Temos hoje 1 milhão e 300 mil filiados que acreditam no projeto e militam para que ele prossiga.

Um traço dessa história militante do PT é a capacidade de apontar para o partido e para a sociedade objetivos ousados, porém plausíveis. O crescimento do PT resultou de sua capacidade de construir suas teses a partir das lutas reais do povo. Como na Constituinte de 1987, uma pequena bancada de 16 deputados e nenhum senador se agigantou apoiada na mobilização popular.

Ao longo de sua trajetória, o PT soube usar essa característica para, com seus militantes, mobilizar e conquistar. Empunhamos bandeiras históricas, como a da luta pela terra, pela saúde, pela educação, pelo emprego, pelos direitos humanos, pela integração continental, pela defesa das minorias e contra a discriminação. Assim, superamos o dilema de ser partido de massas ou de quadros e nos fortalecemos como canal de representação e de participação de milhões de brasileiros.

Trinta anos de ampliação dos espaços de cidadania, rompendo com modelos populistas e com as fórmulas prontas -algumas importadas- para os problemas nacionais. Reinventamos o funcionamento do partido com as cotas de mulheres nas direções, os setoriais temáticos e as eleições diretas partidárias, o PED. O PT sempre valorizou o conceito de militância, grande insumo de nossa renovação.

Dessa forma avançamos, chegamos às prefeituras e aos governos estaduais, ampliamos as bancadas parlamentares e as bases sociais, até a vitória histórica de Lula em 2002. As grandes bandeiras de nossa luta foram materializadas no governo Lula, que colocou o Brasil no rumo da redução acelerada das desigualdades sociais e regionais, ampliando a renda interna, gerando um mercado de massas, criando empregos e políticas públicas transformadoras, arquivando a teoria do Estado mínimo, que tantos males causou ao Brasil.

O governo do PT mudou a imagem do país, levando-o a um novo patamar no cenário mundial. Lula é referência internacional.

Nossos militantes, com os partidos aliados, preparam-se agora para construir um programa que garanta as mudanças implementadas pelo governo Lula, aprovadas por mais de 80% da população, e apresente novas metas ao povo brasileiro. Desejamos consolidar o projeto democrático popular colocado em prática pelo governo Lula, mas aprofundando e acelerando os avanços conquistados.

Aos 30 anos, o PT olha para sua história com o orgulho de quem ajudou a construir a democracia e hoje lidera o governo mais popular da história do Brasil. Mas olhamos para a frente com a humildade de quem sabe que na política cada desafio vencido abre dezenas de novas responsabilidades.

Viva o PT!



JOSÉ EDUARDO DUTRA, 52, geólogo, ex-senador da República (PT-SE), ex-presidente da Petrobras, é o novo presidente do PT.



RICARDO BERZOINI, 50, bancário e deputado federal (PT-SP), conclui hoje seu mandato de presidente do PT