terça-feira, 31 de março de 2009

Dilma sobe na pesquisa CNT-Sensus e já ganha de Aécio


A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), possível candidata da situação à Presidência em 2010, cresceu em todos os cenários, segundo pesquisa do Instituto Sensus, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNT) e divulgada nesta segunda-deira (30). Dilma, pela primeira vez supera o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), em um dos cenários de segundo turno, embora o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), permaneça à frente.

Fonte: CNT-Sensus

Serra chegou mesmo a recuperar parte dos 3,7 pontos percentuais que perdera em janeiro último, mês da edição anterior da pesquisa. Ele oscilou positivamente de 42,8% para 45,7% das intenções de voto (veja os gráficos ao lado), dentro da margem de erro da pesquisa, que é de três pontos para mais ou para menos.
Neste cenário, Dilma subiu 2,8 pontos, após ganhar 3,1 pontos na edição anterior. A distância entre as duas é de 5,3 pontos, ainda em condição de empate técnico.Já o segundo cenário, que inclui Aécio no lugar de Serra, mostra um triplo empate técnico. Após oscilar negativamente mais uma vez, o governador mineiro está com 22,0% das intenções de voto, 2,1 pontos acima de Dilma e Heloísa, ambas com 19,9%. A diferença mais uma vez está na tendência: neste cenário Dilma subiu 7 pontos desde dezembro.

Nordeste é mais Dilma, Sul mais Serra

Os resultados da pesquisa cruzados por segmento (dados do primeiro cenário de primeiro turno) indicam que Dilma Rousseff tem mais apoio nos municípios pequenos (20,6%) e na zona rural (22,2%). Possui também mais eleitores entre os homens (19,2%) que entre as mulheres (12,5%).
Na segmentação por região, Dilma tem mais intenções de voto no Nordeste (26,5%), bastião do apoio ao governo Lula, e menos no Sudeste e Norte/Centro-Oeste (ambas com 11,4%). No Sul ela alcança 15,9%.
José Serra tem mais eleitores no Sul (52,0%), seguido pelo Norte/Centro-Oeste (48,4%). Apesar de São Paulo, a Região Sudeste figura na terceira colocação, com 47,3%, à frente apenas do Nordeste (38,5%).

Ciro no páreo

O deputado Ciro Gomes (PSB-CE), outro presidenciável da base do governo Lula, também subiu nos dois cenários em que seu nome foi apresentado: de 10,6% para 14,9% no confronto com Serra e de 14,9% para 19,2% em relação a Aécio Neves. Ciro, que voltou a se movimentar ém março após seis meses longe dos holofotes, tem se pronunciado contra uma candidatura única de todos os partidos governistas desde o primeiro turno.
Nos cenários de segundo turno, Serra continua liderando com 53,5% das intenções de voto, contra 50,8% da pesquisa em janeiro. Mas Dilma sobe de 16,6% para 21,6,%.
Contra Aécio, Dilma aparece na frente, embora em empate técnico. A candidata petista passou de 23,9% para 29,1 % nas intenções de voto. O tucano tem 28,3% contra 30,4% da pesquisa anterior.
Ciro também vence Aécio na simulação de segundo turno da CNT-Sensus. Com 6,5 pontos a mais que tinha em janeiro, ele chega a 31,2%. Já Aécio oscilou 2,3 pontos para menos e obtém 26,8%, ainda em condição de empate técnico.
A pesquisa quis saber ainda qual a possível influência do presidente Lula nas próximas eleições presidenciais: 21,5% disseram que votariam em um candidato apoiado por Lula, 5,9 pontos a mais que os entrevistados em dezembro de 2008. Mas os que não votariam num candidato apoiado pelo presidente também se tornaram mais numerosos, crescendo, dentro da margem de erro, de 18,4% para 20,3%.
Na avaliação do pesquisador Ricardo Guedes, a população começa reconhecer que Dilma é a candidata apoiada por Lula, por isso o crescimento nas pesquisas. Além disso, a população também começa a tomar partido com aproximação da eleição e aumenta a capacidade de transferência de votos do presidente.

Aprovação de Lula cai para 62,4%

A CNT-Sensus apontou, assim como as últimas edições do Datafolha e Ibope, uma queda na avaliação positiva do governo federal. Nesta 96ª edição, a avaliação positiva ficou em 62,4% e a negativa, 7,6%. Em janeiro de 2009, a avaliação positiva do governo Lula registrava 72,5% e a negativa 5,0%.
A aprovação do desempenho pessoal do presidente Lula situa-se em 76,2% e a desaprovação em 19,9%. Em janeiro, a aprovação do desempenho pessoal de Lula era de 84,0% e a desaprovação, 12,2%.
A 96ª edição da pesquisa CNT-Sensus coletou entrevistas entre os dias 23 a 27 de março, em 136 municípios de 24 estados nas cinco regiões brasileiras. Foram ouvidas 2 mil pessoas.

Confira aqui o relatório completo da 96ª Pesquisa CNT/Sensus

Acredite: a máquina pública não está inchada

Número de servidores no Brasil está abaixo do de países desenvolvidos e emergentes.Uma pesquisa sobre emprego público, realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), chegou a uma conclusão surpreendente: a máquina pública brasileira não está inchada. Comparada à de países desenvolvidos e com os da América Latina, a proporção de servidores públicos na faixa da população economicamente ativa é uma das menores (10,7%), segundo dados computados em 2005.Em países como Dinamarca e Suécia, mais de 30% dos ocupados estão trabalhando para o estado. Em outros que têm o setor privado como alicerce, caso dos Estados Unidos, o percentual é de 14,8%, também usando dados de 2005. O pesquisador Fernando Augusto de Mattos, observa que a adoção do Estado de Bem-Estar Social por vários países europeus no período pós-Segunda Guerra Mundial fez com que o setor público passasse a ter um peso significativo na promoção do emprego e da qualidade de vida da população. A necessidade de políticas sociais universalistas fez a participação dos empregos públicos crescer mais nos países desenvolvidos do que nos subdesenvolvidos.Na América Latina, onde a realidade social se assemelha à nacional, o Brasil está em 8º lugar de acordo com dados de 2006 da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). Na Argentina, essa relação é de 16,2%; no Paraguai, 13,4%, e no Panamá, primeiro colocado da lista, 17,8%. O processo de democratização recente também pesa na estrutura, comenta o pesquisador. O levantamento leva em consideração todos os trabalhadores empregados pelo Estado em um sentido mais amplo, incluindo administração direta, indireta e estatais de todo tipo.O economista do Dieese Tiago Oliveira explica que o estudo questiona o discurso de que o Brasil tem um estado inchado, que surgiu nos anos 90. “A ideia de um país pesado e ineficiente caiu sobre o serviço público e se perpetua até hoje.” Porém, observa Oliveira, “ao mesmo tempo em que as pessoas dizem isso, vão aos postos de saúde e esperam por horas, por falta de médicos ou vêem os filhos voltarem mais cedo para casa por falta de professores”.O pesquisador do Ipea Fernando Mattos afirma que o resultado da pesquisa mostra a necessidade de ampliação do acesso da população aos serviços públicos e, por consequência, da ampliação do quadro de pessoas que realizam esses serviços.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Corrente petista defende unidade para eleições de 2010

Representantes da corrente petista “Construindo um Novo Brasil” (CNB) defenderam, em plenária realizada em Sorocaba no último dia 28/3, que a unidade é elemento fundamental para o sucesso do Partido das eleições de 2010. Cerca de 100 pessoas de 16 municípios da região prestigiaram palestra do deputado federal José Genoino, que falou sobre Conjuntura Nacional e Estadual.
“Teremos as eleições internas para escolher as novas direções (nacional, estadual e municipal) e minha opinião, tenho defendido em todas as plenárias, é que procuremos o caminho do consenso”, defendeu Genoino. Para o deputado, Dilma Roussef (Ministra Chefe da Casa Civil) deverá ser a candidata a presidente pelo Partido em 2010. “A Dilma deverá ser a nossa candidata e tenho certeza que ela vai contagiar a militância pois se trata de uma companheira de história, competente”, afirmou. “Não podemos nos dividir neste momento, temos que buscar a unidade interna e estou muito confiante de que conseguiremos isso”, reforçou.
Sobre a definição de um nome para concorrer ao Governo do Estado, Genoino defendeu que esta deve ser uma construção a ser realizada com os diretórios e comissões provisórias de todo o estado. “Penso que passou da hora de ganharmos o estado para colocar em prática, aqui, nossa política que vem dando muito certo no Brasil”, defendeu. “Para isso é preciso construir uma aliança entre os partidos da base do governo federal, pois, sozinho o processo se torna mais complicado”, completou.
Traçar um panorama sobre a administração do PSDB no estado de São Paulo foi a responsabilidade do deputado estadual Hamilton Pereira, que está na Assembleia Legislativa há 14 anos. O deputado destacou a queda da Secretária Estadual de Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, e defendeu que nada deverá mudar com a chegada de Paulo Renato Souza. “Tudo continuará do mesmo jeito, o que é lamentável, pois mesmo diante do tamanho e importância econômica do nosso estado estamos com índices vergonhosos nessa área”, lamentou. O deputado citou como um agravante a falta de uma política para o funcionalismo público. “Assim é na saúde, na segurança e em outras áreas. Tudo isso porque estamos falando do estado mais rico da Federação, que tem um orçamento de R$ 116 bilhões”, completou.
Segundo o presidente do PT de Sorocaba, Paulo Henrique Soranz, que também ocupa uma das vagas da CNB na Executiva estadual do PT, o início da corrente se deu logo nos primeiros anos de existência do Partido, quando, em 1983, um grupo de petistas redigiu um manifesto intitulado "Manifesto dos 113". “Esse acabou se tornando o marco da criação da corrente chamada ‘Articulação’ e o amadurecimento dos debates da ‘Articulação’, além da ampliação de seus quadros deram origem à nossa atual tese”, explica. Entre os cerca de cem militantes e dirigentes petistas estiveram presentes o prefeito de Piedade, Geremias Ribeiro Pinto, os vice-prefeitos de Porto Feliz, Alumínio e Bauru, Julio César Bronze, Antonio Justo e Estela Almagro, o presidente do PT de Sorocaba, Paulo Henrique Soranz, e o líder da bancada do PT na Câmara Municipal de Sorocaba, Francisco França.
A Plenária decidiu pela constituição de uma equipe de coordenação, com representantes de cada uma das cinco micros que compõem a Macro Região Sorocaba do PT, para organizar e acompanhar as eleições internas do Partido na região. Mesmo sendo de outras correntes, também acompanharam o início dos trabalhos a representante do MEC no estado de São Paulo, Iara Bernardi, e os ex-vereadores sorocabanos, Antônio Sérgio Ismael e Arnô Pereira.

Educação: duas visões

A adesão dos 27 governadores e 5.563 prefeitos ao Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), do governo federal, pode passar a falsa impressão de que há consenso acerca do que precisa ser feito pela educação brasileira. De fato, o Ministério da Educação, de comum acordo com os gestores locais, definiu 28 diretrizes, como avaliação por escola, escolha criteriosa de diretores, obrigatoriedade de aulas de recuperação para alunos defasados, regulamentação do estágio probatório, valorização do mérito e da carreira de professor, promoção da educação infantil etc. Além disso, fixou para o país, para cada rede e cada escola metas de qualidade, valendo-se do Ideb, indicador de qualidade que combina o resultado dos exames nacionais de proficiência em matemática e leitura e as taxas de aprovação. Havia grande resistência na divulgação dos resultados por escola, mas mesmo os governos estadual e municipais que não aderiram à Prova Brasil em 2005 foram vencidos pela evidência de que esse é um direito das famílias que contribui para a melhoria da qualidade e da gestão da educação. Contudo, se há acordo em relação a diretrizes e metas, o mesmo não pode ser dito em relação a estratégias.O Brasil, dessa forma, se transformou num enorme laboratório em que várias concepções de educação vão sendo testadas, e experiências, trocadas, tendo como pano de fundo o direito fundamental do aluno de aprender. É possível, dois anos após o lançamento do PDE, agrupar essas estratégias em torno de dois eixos: um mais progressista e um mais conservador. Mais ou menos financiamento? Os especialistas se dividem. Alguns defendem que o patamar herdado de investimento público em educação como proporção do PIB, de 4%, é suficiente e que o problema reside na gestão desses recursos. Outros defendem a ampliação dos investimentos para, no mínimo, 6%, com melhor gestão. O governo federal pretende atingir, em 2010, a meta de 5%, em trajetória ascendente. Os conservadores, na reforma tributária, trabalham nos bastidores pela desvinculação de receitas dos Estados para a educação, a chamada DRE; os progressistas comemoram a iminência do fim da DRU, dispositivo constitucional que, desde 1995, retira mais de 20% do orçamento do Ministério da Educação. Avaliação para quê? Premiar e punir, sugerem alguns. Aqui há que considerar certos aspectos. Se não acompanhado de aumento do financiamento, mais recursos para escolas que cumprem metas de qualidade pode significar menos recursos para as que não cumprem. Isso pode implicar punir uma segunda vez alunos de escolas que não avançam. Outra possibilidade é aquela que, ao ampliar o financiamento, promove as transferências adicionais de recursos, combinando a lógica do mérito à da colaboração: repasses automáticos para escolas que cumprem metas, ampliando sua autonomia, e repasses condicionados à elaboração, com apoio técnico, de um plano de desenvolvimento pedagógico e formação de professores para escolas cujos indicadores de qualidade as situem abaixo da média. O MEC, desde 2007, de forma pioneira, repassa diretamente recursos adicionais para as escolas públicas do país utilizando esse critério. Por fim, o mais importante: a questão dos professores. Uma ala faz recair sobre os ombros do magistério toda a responsabilidade pela baixa qualidade do ensino. As instituições de ensino superior que os formam e os gestores que os contratam quase nunca são lembrados, embora baixos salários, contratos temporários e formação inicial e continuada precária sejam a regra em nosso país. Reforça-se, assim, aquilo que Theodor Adorno chamou de "tabus acerca do magistério", num ensaio mais do que atual. Noutro polo estão os que entendem que "os melhores professores do Brasil são os professores do Brasil" e que a guerra contra a má qualidade do ensino se ganha com eles, e não contra eles. Defendem o piso nacional do magistério, constroem a carreira com a categoria e procuram corresponsabilizar a classe política e as instituições formadoras pelos destinos da educação. Nessa direção, o Ministério da Educação, a partir de 2005, divulga o Ideb de cada rede de ensino às vésperas de cada eleição e, por meio do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), fecha cursos de licenciatura de baixa qualidade. Como se vê, o Brasil deu importantes passos, mas há muito debate pela frente.
Fernando Haddad é advogado, mestre em economia, doutor em filosofia e professor de teoria política da USP, é ministro da Educação. Artigo originalmente publicado na coluna Tendências/Debates do jornal Folha de S. Paulo, edição de 29/03/2009.

Dilma volta a crescer, se aproxima de Serra e já ultrapassa Aécio em eventual 2º turno

A ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, continua subindo na preferência do eleitorado e já tem entre 16% e 20% de intenção de voto para a Presidência da República, segundo pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta segunda-feira (30).

Com esse desempenho, Dilma se descolou de Heloísa Helena, aproximou-se de José Serra e já aparece em primeiro lugar quando o candidato tucano é Aécio Neves.
A série de pesquisas da CNT faz simulações com os nomes que aparecem como prováveis candidatos à sucessão do presidente Lula em 2010. Na primeira simulação, Serra tem 45,7%; Dilma Rousseff, 16,3%; e Heloísa Helena, 11%; com 27,0% sem candidato. Nas duas pesquisas anteriores (dezembro e janeiro), a ministra tinha, respectivamente, 10% e 13,5%.
Num eventual segundo turno entre Dilma e Serra, o governador de São Paulo continua na frente, mas a diferença entre os dois diminuiu 10 pontos percentuais entre dezembro e agora – de 39 para 29.

Contra Aécio, Dilma divide a liderança tanto nas simulações de primeiro como de segundo turno. No primeiro, 22% para o tucano e 19,9% para a petista. No segundo, a ministra teria 29,1% contra 28,3% do governador mineiro. Em dezembro, Aécio aparecia mais de 10 pontos à frente.

Governo Lula

O levantamento mostrou também que continuam altos os índices de aprovação do governo federal e do presidente Lula, embora tenha havido uma queda em relação às pesquisas anteriores.

Segundo a pesquisa, 62,4% dos brasileiros consideram o governo Lula ótimo ou bom, enquanto apenas 7,6% acham que seja ruim ou péssimo. Em janeiro os índices eram 72,5% e 5%, respectivamente.
Já a aprovação do desempenho pessoal de Lula é de 76,2%, contra 84% em janeiro.

Transferência

A Pesquisa quis saber ainda qual a possível influência do presidente Lula nas próximas eleições presidenciais: 21,5% disseram que votariam em um candidato apoiado por Lula; 28,6% disseram que poderiam votar; 20,3% que não votariam e 25,9% que somente decidiram o voto conhecendo o candidato.
Em dezembro de 2008, 15,6% votariam no candidato de Lula; 28,9% poderiam votar; 18,4% não votariam e 34,0% somente conhecendo o candidato para poder decidir o voto. Confiança nas medidas anticrise
A Pesquisa CNT Sensus quis saber como o brasileiro vê o impacto da crise financeira sobre o emprego no país: 38,7% dos entrevistados conhecem alguém que já perdeu seu emprego em razão da crise; 24,8% ficaram sabendo e 34,9% não conhecem/não ouviram falar. Os números em janeiro de 2009 eram, respectivamente, 34,4%, 22,1% e 39,9%.
44,8% dos entrevistados têm receio de perder seu emprego ou sua atividade econômica caso a crise agrave; 39,7% não têm receio. Os números em janeiro de 2009 eram 42,7% e 43,8% respectivamente.
Para 40,1% dos entrevistados, o Brasil está lidando adequadamente com a crise; para 26,5%, não. Da mesma maneira, 46,3% acham que nesta crise o Brasil sairá fortalecido em relação a outros países; e 23,0% que sairá enfraquecido. Os números em dezembro de 2008 eram, respectivamente, 35% e 23%.

Para Paul Singer, o PAC antecipou a crise e protegeu o Brasil

Por Marcos Palhares

O secretário nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Paul Singer, aponta dois fatores cruciais para o Brasil não estar sofrendo o mesmo impacto da crise mundial que enfrentam, hoje, os Estados Unidos e a Europa, por exemplo. Para ele, o fato de cerca de 50% dos bancos brasileiros serem públicos tornou o país menos suscetível às operações financeiras especuladoras de alto risco. Mas o principal, na opinião do secretário, foi a adoção, pelo governo federal, de políticas anti-cíclicas antecipadas. “O PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) foi lançado há dois anos. Trata-se de uma política vigorosa de investimentos determinante para que a crise não fosse tão violenta no Brasil quanto em outros países”, afirmou Singer, durante o seminário “Alternativas à crise: por uma economia social e ecologicamente responsável”, realizado nesta sexta-feira, 27 de março, na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. Confira a entrevista: FÓRUM – Como e com qual intensidade a crise mundial pode afetar os programas sociais do governo Lula? Paul Singer – Eu diria que, se a gente atingir uma realidade de forte queda da economia, poderia haver cortes de recursos para esses programas. É possível, mas eu, sinceramente, não prevejo essa possibilidade. O Brasil se antecipou á crise. O PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) foi lançado há dois anos. Trata-se de uma política vigorosa de investimentos determinante para que a crise não fosse tão violenta no Brasil quanto em outros países. FÓRUM – O senhor crê, portanto, que a crise não afetará o Brasil como está afetando os Estados Unidos e a Europa? Paul Singer – Creio que não. Além do PAC, que o Obama (Barak, presidente dos Estados Unidos) está tentando fazer ao seu modo, agora, o Brasil, graças a Deus tem a sorte de ter cerca de 50% dos seus bancos públicos. São bancos que priorizam o investimento e os empréstimos para fazer crescer a economia real – e não a especulação pura e simples. Por tudo isso, a crise é menos violenta do que em outros países. Porque é incompatível que você tenha, como nos bancos privados, um sistema bancário que só tenha como objetivo lucrar o máximo. FÓRUM – Para os setores mais fragilizados da sociedade, quais os efeitos mais nocivos da crise mundial – e como superá-los? Paul Singer – Sem dúvida, é o aumento do desemprego e a queda nos investimentos. Atualmente, o país não está em decréscimo, mas acabou o ritmo de crescimento que vinha tendo nos últimos anos. Entre 2003 e 2008, reduzimos 50% do desemprego, mas agora haverá um recuo nisso. Um exemplo de como superar esses problemas é o programa de habitação anunciado pelo governo federal recentemente, que projeta a geração de pelo menos 2 milhões de empregos diretos. FÓRUM – De que forma o governo Lula pode estimular, ainda mais, a economia solidária? O que falta para que ela seja efetiva e eficiente? Paul Singer – Falta muita coisa. Por exemplo: permitir que cooperativas de gente pobre participem do Super Simples, que corta aproximadamente 90% da carga tributária. Porém, muitas pessoas têm a impressão de que o governo federal não se esforça para isso, o que não é verdade. Há uma parte do governo lutando constantemente por essas mudanças e, junto conosco, órgãos como o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). FÓRUM – Durante palestra no seminário realizado pela PUC, Plínio de Arruda Sampaio, do PSol, afirmou que não existe transformação social no país. O senhor concorda? Paul Singer – Não, não concordo. Para mim, está havendo, sim, uma grande transformação social no Brasil. É meio invisível, pois a maior parte das pessoas não sabe. Mas essa transformação está acontecendo e é muito encorajadora. Muitos dizem que ela só será percebida dentro de dez ou 15 anos. Eu acho que não vai demorar tanto assim.

Prefeitos de SP querem fim de estabilidade e limite às greves


Os novos prefeitos do Estado de São Paulo são a favor do fim da estabilidade dos funcionários públicos e contra o direito de greve irrestrito para todas as categorias profissionais. Também defendem a privatização, mas se dividem em relação à redução da jornada de trabalho.


Esse é o retrato dos novos chefes das prefeituras paulistas, segundo pesquisa promovida pelo Cepam (Fundação Prefeito Faria Lima) e pela Secretaria de Comunicação do governo do Estado, que será divulgada na terça-feira. Realizada no fim de 2008, a pesquisa ouviu 624 dos 645 prefeitos do Estado eleitos no ano passado e reflete o conservadorismo que ainda predomina na política paulista.

Declarando-se preocupados em executar uma boa gestão, a maioria dos prefeitos (60%) defende o fim da estabilidade do funcionalismo. O porcentual dos que são a favor é maior entre os prefeitos do PSDB (65%). "Está acontecendo um movimento no eleitorado no qual a qualidade da gestão é o que faz a diferença", avaliou Felipe Soutello, presidente do Cepam.

Quando o assunto é privatização, PT e PSDB têm posições distintas. No PSDB, 51% dos prefeitos são a favor. Entre petistas, apenas 30%. ?Há uma clara distinção entre PT e PSDB. Pode ser que no poder façam coisas parecidas, mas dá para reconhecer a marca de cada um?, disse Fernando Limongi, presidente do Cebrap, que participou da pesquisa.


As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

sexta-feira, 27 de março de 2009

A disputa pelo voto da casa própria



Maria Cristina Fernandes - VALOR

O americano perde a casa enquanto o brasileiro ganha a sua. A imaginação e a sintaxe do presidente da República vão produzir as mais distintas combinações para traduzir esta imagem nos mais variados palanques. A quantidade de casas a serem efetivamente entregues até 2010 pode cair no colo de quem resolver denunciá-la. A engenharia montada coloca prefeitos e governadores desinteressados na renúncia fiscal necessária à adesão ao plano, na berlinda. Ainda que os governadores de São Paulo e de Minas Gerais projetem seus planos habitacionais numa vitrine paralela, terão dificuldades em concorrer com as imagens que um presidente, com tantos Estados e municípios penhorados, é capaz de nacionalizar.
A ministra Dilma Rousseff foi agilíssima ao resumir o espírito da saia justa que se prepara para os recalcitrantes : “Fizemos nossa parte, esperamos que eles façam a parte deles. Se fizerem, a gente vai bancar”. Por mais que José Serra e Aécio Neves deem agilidade aos seus próprios programas habitacionais, não serão capazes de suprir o déficit de moradia em seus Estados. E não haverá justiça eleitoral que impeça a ministra de dizer que, se tivessem aderido ao programa, o número de casas construídas poderia ter sido maior, principalmente para os de mais baixa renda, que dependerão de cadastro no Estado e no município.
O slogan é dela. Que se experimente colocar “Minha casa, minha vida” na boca de um homem. Destoa. Para enfatizar essa identificação, a ministra já garantiu que as mulheres terão prioridade no acesso ao programa. Que sua consecução extrapole 2010, tanto melhor para a candidata do presidente. Vote que Dilma garante.
A oposição vai se esbaldar na exploração do seu caráter eleitoreiro. Mas a esta altura já fica difícil nominar o que não seja. Os críticos podem vir a ser obrigados a voltar atrás como o fez o senador Jarbas Vasconcelos na crítica ao Bolsa Família. O caráter da crise, que demanda intervencionismo, tende a favorecer candidaturas de governos que demonstrem disposição em gastar. Lula foi direto ao ponto: “Não vamos ter problema de gastar, queremos gastar esse dinheiro, o quanto antes, melhor”.
A disposição do governo em alardear gastos não isenta o programa de falhas. Urbanistas são capazes de citar uma lista infinita. A mais grave delas é que se o objetivo era realmente resolver o déficit habitacional das grandes cidades, a regularização de cortiços e a urbanização de favelas seria mais producente.
Dado o grande estoque de terrenos em posse de grandes construtores, nada garante que esses novos conjuntos habitacionais não venham a ser desovados em locais ermos, longe de escolas e postos de saúde. A adoção de placas de captação de energia solar e coletores de água de chuva, anunciada pelo programa, fica bonita na foto, mas não há sustentabilidade sem malha urbana.
O pacote tem como prioridade explícita estimular um setor fortemente afetado pela crise. E as grandes construtoras reagiram ao pacote habitacional com incontida satisfação. A repórter Daniela D’Ambrosio, do Valor, colheu depoimentos exemplares - “Foi exatamente como pleiteamos” (Rubens Menin, presidente da mineira MRV), “O plano saiu redondo, contemplou todos os aspectos que atrapalhavam e encareciam o processo” (Wilson Amaral, presidente da Gafisa).
Ainda faltam sanções parlamentares importantes para se colocar o plano em andamento, como a aprovação das medidas provisórias que reduz tributos da construção civil e estabelece um marco legal para a regularização fundiária, além do projeto de lei que pede a abertura de crédito extraordinário no Orçamento da União.
A partir daí é que se poderá avaliar se o plano terá beneficiado construtoras da mesma forma que a redução do IPI dos automóveis fora um refresco para as montadoras e seus pátios cheios. São estímulos igualmente geradores de empregos e lucros e que também satisfazem desejos de forte apelo social - a casa própria e o carro.
São dirigidos para esta nova classe média em ascensão, cuja rapidez em descobrir novas necessidades é proporcional à capacidade de multiplicar ressentimentos. É certamente mais simples facilitar a aquisição de um carro do que fazer um massivo investimento em transporte público. Da mesma forma, o artifício engenhoso da lógica antisubprime embutido no “Minha casa, minha vida”, é uma alternativa mais ágil para a reativação da economia do que a aceleração do Plano Nacional de Habitação, gestado há mais de ano no Ministério das Cidades e fruto de ampla consulta pública. Além de aposta na saída rápida da crise, o plano de habitação ainda está por se provar consequente.


Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras

Grupo de Tarso lança a candidatura de Dilma a 2010


Antecipando-se à decisão partidária, a corrente “Mensagem ao Partido”, segundo maior grupo do PT, lançou um manifesto em que declara apoio a Dilma Rousseff.“Consideramos a companheira Dilma Rousseff [...] uma solução adequada para a nova vitória em 2010...”“...E para a continuidade e aprofundamento das medidas essenciais que marcam a presidência de Lula”.O grupo “Mensagem ao Partido” foi criado em fevereiro de 2007. Surgiu pregando a reforma ética no PT pós-mensalão e a oxigenação do diálogo interno.Um de seus expoentes, o deputado José Eduardo Cardozo (SP), converteu-se em secretário-geral do PT. É o segundo posto na hierarquia partidária.O apoio a Dilma vem à luz num encontro que o grupo realiza no Rio. Começou neste sábado (21), com a presença da candidata de Lula. Termina neste domingo (22).A chefona da Casa Civil foi recepcionada com uma cantoria tomada de empréstimo das campanhas de Lula: “Olê, olê, olê, olaaaaaaá, Dilmaaaaaa, Dilmaaaaa!”Posou para fotos abraçada ao ministro Tarso Genro (Justiça), uma espécie de ideólogo do grupo.A cena como que sepulta as insinuações de que Tarso tramaria contra Dilma.O manifesto do grupo de Tarso foi levado à web. Chama-se “Uma Nova Mensagem para Uma Nova Conjuntura”. Pode ser lido aqui. http://www.mensagemaopartido.com.br/?p=136Além da manifestação de simpatia pela candidatura presidencial de Dilma, o texto elege passeia pela crise econômica e pela conjuntura política.O manifesto flerta com o óbvio em duas passagens. A primeira: “O encaminhamento da crise definirá as características da eleição de 2010”.A segunda: “Interessa ao PT [...] transformar o pleito [de 2010] em um plebiscito sobre os rumos do Brasil”.O grupo deseja uma disputa plebiscitária entre o petismo e o tucanato. De um lado, os “avanços” da gestão Lula. Do outro a “volta atrás” representada pela dupla PSDB-DEM.De resto, o texto da “Mensagem ao Partido” joga na atmosfera um conjunto de provocações econômicas. Vão abaixo quatro exemplos:1. O BC e os juros: O texto trata a instituição presidida pelo ex-tucano Henrique Meirelles como um corpo estranho na gestão Lula.Anota que o BC move-se “na contramão” da “política popular” que caracteriza o governo. “Mantém os juros em patamares elevadíssimos”.Insinua que Meirelles e sua equipe estão em conluio com o “cartel” da banca privada:“O BC e o setor financeiro privado, que muitos, não por acaso, consideram quase uma coisa só, dificultam o combate à ameaça recessiva”.A pretexto de “garantir a expansão do PIB em 2009”, sugere-se “colocar um fim à autonomia operacional do BC”.Única maneira de “dotar o país de uma política monetária coerente com o esforço antirrecessivo”.Em discurso que dirigiu ao grupo neste sábado, Dilma também fez referência aos juros. Na prática, a ministra antecipou decisões que competem ao BC:"Temos condições de reduzir os juros de forma significativa, sem comprometer a estabilidade do país. E nós vamos fazê-lo".2. Intervenção em ex-estatais: Para os petistas do grupo “Mensagem ao Partido” o governo deveria agir para reverter as demissões feitas por ex-estatais.Como? Utilizando “a participação acionária que ainda tem em empresas antes inteiramente públicas”.O texto menciona duas ex-estatais privatizadas sob FHC: Vale e Embraer. Afrima que, “se necessário, a participação estatal deve aumentar” nessas empresas.3. Mercado financeiro: Além de pregar o aumento da participação acionária do governo nas ex-estatais, o grupo defende “maior presença do Estado no setor financeiro”.Embora o texto não diga explicitamente, sugere nas entrelinhas que o Estado deveria adquirir bancos privados.Prega também, nesse caso às claras, a imposição de controles à “entrada e saída de capital estrangeiro” no pis e o “controle cambial”.4. O Judiciário: O texto traz um ataque velado ao presidente do STF, Gilmar Mendes. Sem mencionar-lhe o nome, anota:“Cumpre destacar o papel de alguns representantes do Poder Judiciário no sentido de bloquear os avanços democráticos obtidos nos últimos anos...”“...Em especial, através da criminalização dos movimentos sociais, da proteção a corruptos e corruptores [...]”.Nos últimos dias, Gilmar pendurou nas manchetes duros ataques às relações “promíscuas” que unem as arcas do Estado ao MST.Antes, Gilmar fora criticado pelo petismo por ter expedido duas decisões que liberaram da cadeia Daniel Dantas, o preso mais ilustre da Satiagraha.De resto, o grupo defende que o PT defina rapidamente “a agenda que centralizará” a disputa presidencial de 2010.“Especialmente em eleições nacionais, quem define a agenda tem assegurada uma das condições fundamentais para a vitória...”“...E a agenda do futuro não vai esperar 2010. Ela voltará então com tudo, mas já deve ser discutida agora pela pressão da crise”.


Fonte:Sabujo Josias de Souza

quarta-feira, 25 de março de 2009

Lula: não há data para construir 1 milhão de casas

Agencia Estado BRASÍLIA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro, em seu discurso no lançamento do programa "Minha Casa, Minha Vida", que não aceitará cobranças de cumprir a meta de construção de um milhão de casas populares - considerada por ele como um "desafio" - até o final do mandato. Ao lançar o plano, Lula disse que o cumprimento da meta depende do esforço do setor da construção civil, de prefeitos, governadores e até de arquitetos. "Não tem data; portanto ninguém me cobre fazer um milhão de casas em dois anos", afirmou o presidente. "A gente não tem de se importar com o tempo. Gostaria que terminássemos em 2009. Se não conseguirmos, 2010 ou 2011..."Em tom de desabafo, Lula disse que eventuais problemas para o cumprimento da meta não poderiam ser apenas creditados aos órgãos públicos. "Não é por maldade da máquina pública, mas da sociedade brasileira que a tornou assim." O presidente fez um apelo para que prefeitos e governadores apresentem imediatamente projetos bem trabalhados para acelerar a construção das casas. "Agora, precisamos de projetos para que a gente consiga ''desovar'' o dinheiro, porque senão o Guido (ministro da Fazenda, Guido Mantega) vai dizer que o fluxo do Tesouro está se exaurindo", disse o presidente, rindo e referindo-se a habitual trecho de discursos de Mantega.Lula disse que é "extremamente importante" que os prefeitos e governadores apresentem logo seus projetos à Caixa Econômica Federal. "A Caixa parece que está altamente preparada para, a partir de 13 de abril, a gente começar a funcionar a pleno vapor", afirmou ele, dirigindo o olhar à presidente da Caixa, Maria Fernanda Coelho, e comentando sobre sua elegância.

Famílias que ganham até 3 salários terão imóveis de até 42 m2

EDUARDO CUCOLO da Folha Online, em Brasília

As famílias com renda até três salários mínimos que serão beneficiadas com o programa habitacional lançado hoje serão selecionadas por Estados e municípios tendo como base as informações do chamada CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal). As pessoas nesta faixa de renda terão 400 mil casas do total de 1 milhão de unidades previstas.
As obras serão selecionadas pelas Superintendência Regionais da Caixa Econômica Federal de acordo com os projetos apresentados pelas construtoras. O banco será responsável pela contratação, pelo acompanhamento da obra e pela liberação dos recursos.
Haverá dois tipos de moradias. Casas térreas com 35 m2 e apartamentos de 42 m2. Ambos terão sala, cozinha, banheiro, dois dormitórios e área de serviço. Os prédios serão de quatro ou cinco pavimentos, com quatro unidades por andar.
Todas as casas do programa terão sistema de aquecimento solar térmico, o que pode reduzir a conta de luz em até 30%.
Para conseguir o financiamento, além de constar no Cadastro Único, não será permitido que a pessoa já tenha se beneficiado de alguma programa de habitação do governo e não pode possuir casa própria ou financiamento em andamento.
A prestação mínima será de R$ 50, limitada a 10% da renda, o pagamento poderá ser feito em dez anos, com correção anual pela TR (Taxa Referencial), a mesma usada na correção da poupança.
Não será necessário dar entrada, e o pagamento só começa após a conclusão da obra. Também haverá isenção no seguro por morte ou invalidez permanente, e no seguro por danos físicos do imóvel.
O interessado em ingressar no programa deve procurar a prefeitura, Estado ou um movimento social para se cadastrar.

Tesouro vai dar subsídios de R$ 16 bi para o bolsa-habitação

Dinheiro vai para famílias com renda de até 3 mínimos, que pagarão prestações simbólicas ou receberão a casa de graça

Lu Aiko Otta e Isabel Sobral, BRASÍLIA - O Estado SP

O governo terá R$ 16 bilhões em recursos do Orçamento para o “bolsa habitação”, o programa que subsidiará casas a prestações simbólicas para as famílias com renda de até três salários mínimos (R$ 1.395), informam fontes da área econômica. Segundo o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, esse grupo terá “subsídio total”, ou seja, a casa poderá até sair de graça.
“Será a primeira vez que o Orçamento Geral da União vai aportar um volume tão grande de recursos somente para subsídio.” O dinheiro não será todo desembolsado este ano. Ele sairá dos cofres públicos ao longo dos contratos, que durarão 20 a 30 anos. No entanto, o Tesouro terá de fazer uma provisão conforme os contratos forem assinados. A expectativa dos técnicos é que o grosso do provisionamento ocorra em 2010.
O pacote da habitação, porém, contempla outras faixas de renda. Ontem, o Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aprovou um novo orçamento, que destina um total de R$ 4 bilhões para subsidiar este ano empréstimos habitacionais para os mutuários com renda entre três e seis salários mínimos. No programa inteiro, que pretende construir 1 milhão de casas num prazo indeterminado, os subsídios do FGTS chegarão a R$ 12 bilhões.
Esses subsídios servem para baixar o juro e o valor da prestação da casa própria, segundo explicou o representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Conselho, Jacy Afonso. Os recursos são entregues ao agente financeiro.
No total, o FGTS aprovou ontem um orçamento de R$ 23 bilhões para financiamento da casa própria para as famílias com renda entre três e dez salários mínimos. Foi um acréscimo de R$ 13 bilhões à proposta original. Além dos R$ 4 bilhões de subsídios, haverá R$ 19 bilhões para financiamentos com juros que variam de 5% a 8,6% ao ano.
O pacote da habitação, uma das plataformas de campanha da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República, será anunciado hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva numa grande festa política. Foram convidados todos os governadores, todos os prefeitos de capitais e de cidades com mais de 150 mil habitantes, empresários do setor, senadores e deputados, além de representantes de movimentos sociais ligados à habitação. O lançamento das medidas vem sendo adiado desde dezembro do ano passado.
A construção de 1 milhão de moradias vai criar 532 mil empregos diretos, segundo estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), sob encomenda do governo. O impulso do pacote no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) será de 0,7 ponto porcentual.
“Serão medidas de grande impacto”, disse o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. “É uma alternativa para enfrentar a crise e, sobretudo, para gerar emprego”, disse o vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Wellington Moreira Franco.
Carlos Lupi afirmou que o pacote da habitação não põe em risco a saúde do FGTS. “Não haverá desequilíbrio porque o FGTS tem um patrimônio de R$ 200 bilhões, está saudável e muito forte.”
O Conselho Curador do FGTS também aprovou ontem um acréscimo de R$ 3 bilhões para os projetos de saneamento e de R$ 1 bilhão para renovação de frota de ônibus este ano. Segundo Lupi, esses dois programas criarão 260 mil empregos diretos e vão acrescentar 0,3 ponto porcentual no PIB.
O pacote a ser anunciado hoje também deverá conter medidas para atender à classe média. O valor máximo dos imóveis que podem ser comprados com o saldo do FGTS do mutuário, atualmente em R$ 350 mil, deve ser elevado. O valor mais provável, segundo técnicos, é R$ 500 mil. Ontem à noite, Lula reuniu-se com Dilma e os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e da Comunicação Social, Franklin Martins, para uma última revisão das medidas.

Um apartamento nada ”popular”

Oito das 12 unidades de R$ 13,5 milhões já foram vendidas

Renato Cruz, São Paulo - O Estado SP

Ao mesmo tempo em que o governo lança um pacote para incentivar o acesso à moradia popular, a construtora Adolpho Lindenberg e a imobiliária Sotheby’s oferecem, em São Paulo, no bairro do Morumbi, apartamentos de 1.223 metros quadrados, que custam R$ 13,5 milhões.
Das 12 unidades, 8 já foram vendidas. “Em setembro e outubro do ano passado, sentimos o impacto da crise no mercado de alto padrão”, disse Celso Pinto, diretor da Sotheby’s São Paulo. “Agora, a situação está bem normalizada. Estamos atendendo muitas ligações. Gente que perdeu dinheiro na bolsa agora quer concentrar os investimentos em imóveis.”
O apartamento tem seis suítes, uma delas com dois banheiros, dois closets e terraço, com uma área total de 230 metros quadrados. O imóvel conta com 12 vagas na garagem, sala de lareira e sala de cinema, jardim de inverno fechado e terraço com piscina de 15 metros quadrados.
Segundo o diretor da Sotheby’s, alguns clientes que buscam o apartamento vêm de casas ainda maiores. “O objetivo é simplificar a vida”, explicou Pinto. “É complicado hoje ter um número muito grande de funcionários.” Ele diz que o valor de R$ 13,5 milhões não é alto no mercado de alto padrão. “Existem apartamentos de 980 metros quadrados na mesma faixa de preços.”
Para quem não estiver disposto a desembolsar o pagamento de uma vez, o Banco Santander tem uma linha de financiamento em até 30 anos, com parcelas fixas. Num financiamento de R$ 9,1 milhões, a parcela mensal fica em R$ 89,4 mil. O condomínio custa de R$ 7 mil a R$ 8 mil por mês e o IPTU de R$ 4 mil a R$ 5 mil mensais.
Depois do susto do ano passado, os consumidores de alta renda voltaram a investir em imóveis. “Os lançamentos nessa área não foram suspensos, ao contrário do que aconteceu com alguns residenciais.”

CONCENTRAÇÃO

Fonte: O Estado SP

Um por cento da população mundial detém 40% das riquezas do planeta. O dado foi publicado ontem pela Universidade das Nações Unidas, que lançou o que considera ser o maior projeto internacional para pesquisar a desigualdade no mundo e as disparidade sociais. A riqueza ainda está concentrada em alguns países. Das pessoas que fazem parte da elite mundial, 64,3% (ou a parcela de 1% dos mais ricos) estão nos Estados Unidos e Japão. O Brasil tem apenas 0,6% desses indivíduos. A pobreza também está concentrada: 25%, com patrimônio inferior a US$ 178, vive na Índia. Na China, 6% e no Brasil, 2,2%.

terça-feira, 24 de março de 2009

FHC fala, mas não tem propostas anticrise


O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deitou falação novamente, agora no Roda Viva, programa de entrevista da TV Cultura de São Paulo.Um direito dele, como cidadão e ex-presidente, reconheçamos, mas, sem propostas para a crise e para o país, retomou o mantra tucano da partidarização do Estado e da ocupação de cargos públicos por sindicalistas. Isso é um mito! Basta ver os números.Mas, de qualquer forma revela um preconceito dos tucanos com os sindicalistas que, como qualquer outro setor da sociedade, tem todo o direito de ocupar cargos públicos de confiança? Ou será que só os intelectuais e professores do PSDB e os políticos do ex-PFL-DEM é que podem?
O interessante dessa história é que quando e onde os tucanos, ou a parceria demo-tucanos estão no poder, as nomeações que fazem são "preenchimento de cargos de confiança". Quando é o PT que nomeia, é "aparelhamentoi", "partidarização"...
Partidarização é mito
Olha, sobre esse mito da partidarização dos cargos públicos em governo do PT, vou esclarecer mais uma vez: ela é igualzinha a que o PSDB promove onde governa e menor, diga-se de passagem, que no governo FHC.
Para ficar nisso, e numa resposta a ele, sem falar na mais forte marca de sua gestão - as privatizações e desregulamentação da economia que, se tivessem prosseguido, o Brasil hoje estaria ao lado dos Estados Unidos e Europa, ou seja, numa crise muito pior. Pagamos caro e muito pelo governo FHC. Mesmo no caso das nomeações e fisiologismo. Ninguém esqueceu como foi aprovada a reeleição em meio a um mar de denúncias de compra de votos, cuja apuração seu governo não deixou ir em frente. Mas, não esqueçam, numa atitude equivalente à autoconfissão, praticamente todos os deputados acusados acusados de venda de votos renunciaram a seus mandatos.
Muito menos é possível se esquecer os escândalos da privatização. Se o presidente FHC e os tucanos querem mudar o sistema de nomeação, é simples: basta aprovar uma emenda constitucional só permitindo a nomeação de funcionários de carreira para os cargos de confiança. O PT apóia.

Foto: Valter Campanato/ABr
Fonte: blog do Zé Dirceu

Caravanas do PT mobilizam militância e preparam 2010


O Diretório Estadual do partido aprovou resolução e calendário propondo a realização da Caravana Estadual do PT. O objetivo é organizar o partido, por meio da militância e dos movimentos sociais, para os desafios atuais e para a disputa de 2010, por meio de uma oposição mais intensa ao governo estadual do PSDB. As visitas de membros da Executiva às dezenove Macrorregionais do partido servirão à construção de um programa alternativo para o estado, com a participação de de debatedores e debatedoras de envergadura nacional e estadual, e com o envolvimento de personalidades regionais, vinculadas aos movimentos sociais, à academia/universidade, e aliados, entre outros.O processo das caravanas estará concatenado com o esforço de construção da agenda da ministra Dilma Rousseff no estado. Segundo a resolução, as caravanas cumprirão um importante papel de organização partidária, e de entrosamento das instâncias partidárias.
RESOLUÇÃO DO DIRETÓRIO ESTADUAL- CARAVANAS
São Paulo, 14 de março de 2009Mobilizar o PT para derrotar a direita em São Paulo e no Brasil O centro da conjuntura de 2009 é a crise econômica que, originada no núcleo do sistema capitalista mundial – os Estados Unidos –, se propagou por todo o planeta. Embora os impactos da crise não sejam da mesma natureza e magnitude em todos os países, a retração da atividade econômica e o aumento do desemprego são, hoje, fenômenos comuns a praticamente todos os países. As medidas adotadas pelo Governo Lula para enfrentar a crise estão no rumo certo: mais investimento público, mais mercado interno, mais Estado e mais integração continental. É o caso da redução da vulnerabilidade externa da economia, da criação de bases sólidas para a elevação do ritmo de crescimento econômico, da consolidação da estabilidade macroeconômica e dos significativos avanços na distribuição da renda e na ampliação do mercado interno, mediante o aumento do emprego, a elevação do salário real e os programas de transferência de renda. Embora tudo isso não impeça, - principalmente em uma economia mundial globalizada e desregulamentada, como a atual -, que sejamos afetados pela crise, sem dúvida, aumenta nossa capacidade de absorção de seus efeitos e cria condições favoráveis para uma subseqüente retomada do crescimento. A retração da demanda externa, a diminuição dos preços de produtos relevantes na nossa pauta de exportações, a redução das linhas de financiamento externo e as mudanças nas expectativas dos empresários e consumidores, produziram, no último trimestre de 2008, efeitos negativos sobre nossa economia.O governo Lula reagiu com firmeza aos impactos da crise. A estratégia do governo Lula de enfrentar a crise com uma visão anticíclica, - buscando, ao mesmo tempo, amortecer seus impactos e pavimentar o caminho para a retomada, em outro patamar, do processo de crescimento -, manifesta-se em inúmeras medidas, como na decisão de aumentar em R$ 100 bilhões os recursos do BNDES para financiar investimentos, na manutenção e ampliação do programa de investimentos da Petrobrás; na criação do Fundo Soberano; e no fortalecimento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).Manifesta-se também nas medidas adotadas para preservar a demanda interna e proteger os setores de menor capacidade econômica: na redução do IPI do setor automotivo, do IOF das operações de crédito e do Imposto de Renda da Pessoa Física; na proposta de construção de 500 mil casas populares, bem como no aumento do salário mínimo em mais de 6% acima da inflação e na preservação dos benefícios do Bolsa-Família. Destoa, nesse contexto, a postura do BC, que demorou demasiadamente para reduzir a taxa Selic e não atua de forma decidida para induzir a redução do spread bancário. A disputa política no país deve ser concentrada na gestão da crise. A liderança política do presidente Lula, cada dia mais consolidada, será questionada pela maneira como o governo enfrentar os desafios de uma conjuntura econômica mundial, muito mais difícil e complexa do que a vivida pelo país desde o pós-guerra. A disputa que se travará em 2010 será entre dois projetos. De um lado, as forças progressistas e de esquerda, que querem dar continuidade à ação do governo Lula, reduzindo desigualdades sociais e regionais, ampliando o investimento público, fortalecendo o papel indutor e planejador do Estado, gerando empregos e distribuindo renda, fortalecendo a saúde, a previdência e o ensino público, exercendo uma política externa que fortalece a soberania e a integração continental. De outro lado, as forças neoliberais, conservadoras e de direita, que, de 1990 até 2002, privatizaram, desempregaram e arrocharam o povo brasileiro, implementando em nosso país as mesmas políticas que estão na raiz da crise mundial. Construir 2010 desde já O PT de São Paulo, consciente de sua responsabilidade frente às tarefas da conjuntura, propõe a realização da Caravana Estadual do PT, cujo objetivo é o de organizar o partido para as tarefas atuais da conjuntura e para a disputa de 2010, combinando intensificação, fortalecimento/aumento do tom à oposição ao governo estadual do PSDB e a construção de nosso projeto – estadual e nacional. As caravanas também serão responsáveis por iniciar o processo de construção de um programa alternativo para o estado. Este processo de caravanas também estará concatenado com todo o esforço de construção da agenda da companheira Dilma Rousseff no estado.Neste sentido, a Caravana Estadual do PT, composta pelos membros da Executiva, terá por objetivo apresentar e debater nossas resoluções políticas e avaliações de conjuntura para cada região do estado, priorizando e dando ênfase à apresentação da Agenda de Enfrentamento da Crise, elaborada pela direção estadual e bancada de deputados, lançada no mês de fevereiro.Ao mesmo tempo, as caravanas cumprirão um importante papel de organização partidária, e de entrosamento das instâncias: municipais, regionais e estadual.Neste importante esforço da direção de levar o debate político às regiões, a proposta é que convidemos debatedores e debatedoras de envergadura nacional e estadual, do campo democrático e popular, prestigiando assim o debate sobre o quadro político-econômico e as tarefas do PT. A intenção também é a de envolver figuras regionais, identificadas com a posição defendida pelo PT, vinculadas aos movimentos sociais, academia/universidade, aliados, entre outros.A proposta é que cada Caravana seja um acontecimento político, com a participação de companheiros e companheiras de todas as direções municipais do estado, diretórios municipais e comissões provisórias. A intenção é mobilizar os representantes de nossa frente institucional – prefeito, vices, vereadores, deputados estaduais e federais, senadores, como também a militância que está organizada nos movimentos sociais – sindical e popular, e, por fim, os filiados e filiados de nosso partido.Em cada região, a proposta é que esse esforço seja acompanhado das forças sociais locais, em especial as que têm relação ou simpatia ao nosso projeto, e, ao mesmo tempo, ocupar o espaço na mídia regional. Uma questão que deve ser priorizada é um plano de mídia, em especial, nas cidades que têm cobertura de TV.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Manchete da FSP não corresponde à verdade

Como era de se esperar - e não seria diferente tratando-se...

Como era de se esperar - e não seria diferente tratando-se da Folha de S. Paulo - o título "Aprovação a Lula cai pela 1ª vez no segundo mandato", manchete interna do jornal, hoje, não corresponde à realidade constatada pela pesquisa Datafolha.Analisando-se o levantamento, constata-se que Lula subiu durante a crise e retomou, com melhora, a aprovação que obtinha antes dela. Lendo-se o material fica claro que esse título não corresponde ao resultado da pesquisa. Esta mostra que Lula e seu governo voltaram a ter não só a avaliação registrada antes do auge da crise, de 65% em novembro, como até subiram - o presidente e seu governo atingem agora 70%. Logo, Lula subiu durante a crise. Mas, com a divulgação da pesquisa como fez, o jornal procurou uma forma canhestra para ligar a crise à popularidade do governo ou a de Lula, ou mesmo à ação do governo. A aprovação a esta reduziu um pouco, mas a ação do governo continua sendo considerada como boa por 43% da população, regular por 36% e ruim por 13%. Em novembro, esses números eram 49% (boa), 30% (regular); e 9% (ruim).Da mesma forma que 55% dos brasileiros continuam a avaliar que o Brasil será pouco prejudicado pela crise - esse percentual era de 58% em novembro -, ainda que o número dos que acreditam que será prejudicado tenha subido de 20% para 31%.

Fonte: Blog do Zé Dirceu

Quando a educação não é prioridade -->

"Os alunos das piores escolas de 1ª a 4ª série...

"Os alunos das piores escolas de 1ª a 4ª série e do ensino médio na cidade de São Paulo perdem de duas a três aulas por dia (de um total de cinco) porque as unidades enfrentam uma série de problemas, que vão da falta d'água - que provoca a interdição dos banheiros - à ausência de professores. A situação ocorre desde o início do ano letivo, em 16 de fevereiro".O texto acima é a abertura da reportagem com o título "Piores escolas reduzem aula por falta de água", publicada hoje pela Folha de S.Paulo e, ao mesmo tempo, uma radiografia fiel da situação caótica em que está o ensino público paulista, herança de 14,5 anos de governos tucanos em São Paulo. A reportagem é o chamado "rescaldo" - termo jornalístico que significa repercussão, continuidade - da pesquisa do IDESP publicada no dia anterior e que faz o ranking das piores escolas e da situação do ensino no Estado. Esses últimos dados do IDESP, publicados pelos jornais de ontem, atestam que é muito ruim a situação do ensino no Estado, com os piores índices possíveis. O quadro estagnou no ensino fundamental e a melhora no ensino médio de 2007 para 2008 foi tão insignificante e ridícula que os especialistas em educação julgam difícil São Paulo atingir as metas estabelecidas para daqui a 21 anos, em 2030. Desculpa esfarrapada ou culpa de governos tucanos anteriores?
As escolas visitadas pela Folha de S.Paulo para a reportagem de hoje ficam no mesmo bairro paulistano, a Vila Brazilandia, onde também se localizam as duas escolas de 1ª a 4ª séries que mais pioraram, segundo o IDESP divulgado anteontem.
Na pior escola, segundo contaram os pais e constatou o jornal, há banheiros interditados, ratos no local, pombos no refeitório e uso de drogas. O quadro se torna ainda mais desalentador quando se observa que o governo Serra, através de sua secretária de Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, se limita à surrada justificativa de que isso "não muda de um ano para outro", conforme publiquei ontem aqui nesse blog.
O problema secretária, é que os srs. tucanos, já estão no poder no Estado há 14,5 anos, governos Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra, e a situação na educação só se deteriora ano a ano...
E 14,5 anos, sem contar mais os 12 anteriores, período em que o governo foi ocupado pelo PMDB - Franco Montoro, Orestes Quércia e Luiz Antônio Fleury Filho - do qual boa parte migrou para o PSDB ou continua peemedebista, mas aliado a Serra (caso do grupo do ex-governador Quércia) e incrustrado na máquina do poder.
Fonte: blog do Zé Dirceu

terça-feira, 17 de março de 2009

Deputado lança novo site na quarta-feira

16 Março, 2009

Deputado lança novo site na quarta-feira

Na próxima quarta-feira (18/3), o deputado estadual Hamilton Pereira (PT) fará o lançamento do novo site de seu mandato na internet. O evento, previsto para iniciar às 20h na sede da ASI (Associação Sorocabana de Imprensa), deverá reunir profissionais da imprensa, lideranças políticas e de bairro.“O nosso atual site vinha recebendo uma média de seis mil acessos por mês nos últimos dois anos”, explica Hamilton Pereira. “Por isso, pensamos em aperfeiçoar essa ferramenta, que é fundamental para a agilidade da prestação de contas do nosso trabalho parlamentar, o que, inclusive, é uma obrigação constitucional que devemos à população que nos elegeu”, completa. O novo site de Hamilton apresenta um layout mais moderno e um sistema de utilização de banco de dados que o torna mais rápido. Além de notícias do mandato e artigos de Hamilton Pereira, o site também disponibilizará uma sessão com artigos e entrevistas com lideranças políticas e sociais da região e do estado.A tecnologia RSS (Really Simple Syndication) também permitirá aos seus assinantes acompanharem as atualizações do novo site em tempo real. Outra inovação é disponibilização de áudios com entrevistas e opiniões do deputado para possível utilização da imprensa radiofônica, além de vídeos de depoimentos do deputado na tribuna da Assembléia Legislativa e participação em programas televisionados.“Estamos com uma ótima expectativa em relação ao nosso novo site”, afirma Hamilton. “Porque sempre tivemos uma preocupação muito grande em prestar contas, com qualidade, do nosso trabalho, além de poder alimentar nossas lideranças partidárias com informações que possam colaborar para a realização de um trabalho cada vez melhor na região”, completa.
A ASI está localizada na Avenida Antônio Carlos Comitre, 330.

terça-feira, 10 de março de 2009

O fracasso da Econômia Acadêmica

Em 1609, Galileu Galilei, (1564-1642) depois de ter aperfeiçoado um instrumento construído um pouco antes por óticos holandeses, produziu uma luneta que chamou de “Perspicillum”. Com ela deu origem a uma revolução na astronomia. Por isso, a União Astronômica Internacional e a Unesco elegeram 2009 como o Ano Internacional da Astronomia. Qual é a profunda importância de Galileu? A resposta é simples, como nos informa o ilustre prof. Antonio Augusto Passos Videira (revista “Ciência Hoje”, jan./fev. 2009: 18): “Suas descobertas contribuíram para minar a primazia da concepção aristotélica do cosmo, baseada na beleza dos corpos celestes e na imutabilidade dos céus. Em longo prazo, suas ideias - sustentadas pela matemática, por medidas e por uma retórica afiada - ergueram uma visão do mundo na qual se buscavam leis para os fenômenos naturais”.
Mas qual a importância disso agora, há de perguntar-se, irritado, um daqueles economistas que se pensa portador da “verdadeira” ciência econômica? Eu também uso a matemática! A pequena diferença é que o seu “tipo” de conhecimento tem muito mais a ver com Aristóteles esteticamente matematizado do que com Galileu. Em lugar de tentar entender como funciona o sistema econômico, tenta ensiná-lo como deveria funcionar em resposta à beleza dos seus axiomas…
Essa é uma crítica antiga, mas que a corrente majoritária dos economistas (que à falta de nome melhor chama-se a si mesma de neoclássica) recusava-se a considerar diante do aparente sucesso da sua teoria na “explicação” do mundo dos últimos 25 anos. A cavalar crise financeira (em parte produzida pelos equívocos propagados pela própria “teoria”) desconstruiu essa ilusão. Um grupo de oito importantes economistas (todos um pouco mais ou um pouco menos críticos, mas sem dúvida, competentes membros do “mainstream” e senhores da mais sofisticada matemática e econometria) acabam de publicar um trabalho, “A Crise Financeira e o Fracasso Sistêmico da Economia Acadêmica” 1. É um verdadeiro réquiem de corpo presente para a economia pré-galileliana, que foi dominante na última geração.
A síntese do artigo (em tradução livre) é a seguinte:
“A profissão dos economistas parece ter ignorado a longa construção que terminou nesta crise financeira internacional e ter significativamente subestimado as suas dimensões quando ela começou a manifestar-se. Na nossa opinião, essa falta de entendimento foi devida à má alocação dos recursos de pesquisa na economia. Fixamos as raízes profundas desse fracasso na insistência da profissão em produzir modelos que - por construção - ignoram elementos fundamentais que controlam os resultados no mundo dos mercados reais. A profissão falhou, lamentavelmente, na comunicação ao público das limitações e fraquezas e, mesmo, dos perigos que caracterizam os modelos de sua preferência. Esse estado de coisas deixa claro a necessidade de uma fundamental reorientação das pesquisas que devem ser feitas pelos economistas e, também, do estabelecimento de um código de comportamento ético, que exija deles o conhecimento e a comunicação (para o público) das limitações e dos maus usos potenciais possíveis de seus modelos”.
O final do trabalho é ainda mais preocupante:
“Acreditamos que a teoria econômica caiu numa armadilha de um equilíbrio subótimo, no qual o grosso do esforço de pesquisa não foi dirigido para as mais angustiantes necessidades das sociedade. Paradoxalmente, um efeito retroativo, que se autorreforça dentro da profissão, levou à dominância de um paradigma que tem base metodológica pouco sólida e cuja performance empírica é, para dizer o menos, apenas modesta. Pondo de lado os mais prementes problemas da moderna economia e fracassando na comunicação das limitações e das hipóteses contidas nos seus modelos mais populares, a profissão dos economistas tem certa responsabilidade na produção da crise atual. Ela falhou na sua relação com a sociedade. Não produziu tanto conhecimento quanto seria possível sobre o comportamento da economia e não a alertou dos riscos implícitos nas inovações que criava. Além do mais, relutou em enfatizar as limitações da sua análise. Acreditamos que o seu fracasso em sequer antecipar os problemas gerados pela crise do sistema financeiro e a sua incapacidade de prover qualquer sinal antecipado dos eventos que iriam se passar exigem uma reorientação fundamental dessas áreas e uma reconsideração de suas premissas básicas”.
Trata-se de um trágico “requiescat in pace”, não para a teoria econômica, mas para o “mainstream” pré-galileliano, que se apropriou dela com imensa irresponsabilidade. Podemos voltar agora à modesta e útil economia política?

1 Os autores são David Colander, Katarina Inlesuis, Alan Kirman e outros

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento. Escreve às terças-feiras

segunda-feira, 2 de março de 2009

INAUGURAÇÃO DA QUADRA ESPORTIVA NA ESCOLA MARINHEIRO MARIZ E BARROS NO BAIRRO GEORGE OETERER


O Deputado Estadual Hamilton Pereira (PT), o Prefeito de Iperó, Marco Antônio Vieira de Campos (PSDB), e o Presidente da Câmara Municipal da cidade, Sérgio Neri (PT), inauguraram, na manhã do último sábado (28/2), a quadra esportiva da escola Marinheiro Mariz e Barros, em George Oeterer, bairro localizado naquele município, bem próximo à divisa com Sorocaba. A construção do equipamento público contou com verba de R$ 60 mil do orçamento estadual de 2008, destinada por Hamilton.
A cerimônia da inauguração foi completada com uma partida de futebol de salão entre os garotos do projeto Gol de Letra, desenvolvido em Iperó. Com a nova quadra, o projeto vai se expandir, acredita Luciano Monteiro Arruda, um dos responsáveis pelo Gol de Letra.