quinta-feira, 30 de abril de 2009

Filhos das excelências nas escolas públicas


Artigo para Blog do Kotscho

Cristovam Buarque


Meu pai e minha mãe não eram católicos praticantes, mas meu irmão e eu estudamos em colégios religiosos: maristas.
Além da proximidade da escola em relação a nossa casa, a principal justificativa é de que as vagas nas poucas escolas públicas já estavam preenchidas com os filhos das pessoas influentes, especialmente os deputados, senadores, vereadores, seus apadrinhados, ricos e bem conectados.
Ainda mais: as escolas religiosas eram baratas, os professores, missionários sem família nem salário. Não pagavam aluguel, nem impostos; os equipamentos eram apenas quadro negro e um simples laboratório de química e física.
Hoje, quando se propõe que os eleitos deveriam colocar seus filhos na escola pública, onde estudam os eleitores, a idéia é considerada demagógica.
Em 40 ou 50 anos, desde que a população pobre migrou à cidade e colocou seus filhos na escola pública, a parcela rica, inclusive os parlamentares, migraram para a escola privada.
A partir daí, a escola pública foi abandonada, entregue aos municípios.
Em pouco tempo, consolidou-se a ideia de que a apartação era legítima: ricos que podem pagar têm o direito de estudar em escolas particulares de qualidade; pobres, que não podem pagar, ficam em escolas ruins, precárias, sem equipamento, com professores mal pagos e desestimulados.
Quando se considera demagógica a ideia de fazer com que filhos de pobres e ricos, de eleitores e de eleitos, estudem na mesma escola, é porque se considera essa apartação legítima. Isso lembra o discurso de quem era contra a Abolição da escravatura, há 300 anos.
Quando, depois de 300 anos, surgiu a idéia da Abolição, ela foi vista como demagógica, impossível, injustificável.
Os argumentos então eram muitos. Primeiro, como considerar negros com direitos iguais aos brancos? Como fazer funcionar a economia sem escravos? Como tirar dos senhores o direito à propriedade que eles tinham comprado?
Pouco a pouco, a idéia virou realidade, ficou aceita e possível. Terminou acontecendo. Os proprietários foram desapropriados; os negros tiveram, é certo que apenas na lei, os mesmos direitos; e a economia não parou, ao contrário, adquiriu uma nova dinâmica.
O mesmo vai acontecer com a idéia da escola igual para filhos de eleitores e de eleitos. Terminará aceita, e trará um inegável impacto positivo na educação pública e, a partir daí, na democracia social ainda incompleta no Brasil.
Além disto, é uma maneira de comemorar os 120 anos da República: não é uma República plena aquela que tem uma escola para os eleitos diferente da escola dos seus eleitores.


Brasília-DF, 29 de abril de 2009

segunda-feira, 27 de abril de 2009

PARTIDO OU GOVERNO?

Por: ANGELA PAULA PT/SP

Assistindo alguns discursos de companheiros Deputados Federais sobre as eleições 2010. Lembrei desse texto. Não me lembro da onde tirei.
Acredito que esse texto tem que ser discutido, cada vez mais. Para poder refletir nossa prática.
Como partido que governa, o PT precisa evitar três equívocos.
O primeiro,consiste em não construir um Estado Partido. Esse conceito designa aquela situação criada pelos partidos comunistas tradicionais que exerceram ou exercem o poder nos países socialistas. Esses partidos desenvolveram um modelo de gestão onde o verdadeiro centro de poder e de tomada de decisões não era o Estado, mas o comitê central do partido. A rigor, o Estado Partido é inviável em sistemas democráticos, pois pressupõe a existência de um partido único.
O segundo erro, este mais comum e possível nos regimes democráticos, consiste na estatização do partido governista. A estatização expressa àquela condição em que o partido governista. A estatização expressa àquela condição em que o partido perde sua autonomia frente ao governo obedece inteiramente suas diretrizes, torna-se um partido ávido por cargos, sucumbindo à lógica do governo. Em tais circunstâncias o partido abandona a atividade partidária específica e autônoma na esfera social.
O terceiro tipo de erro que um partido governista pode cometer consiste em fazer um oposição velada ou explícita ao governo. Esta atitude pretende esquivar-se do fato de que, na democracia, o governo se define num embate entre partidos plurais e que o partido vencedor estabelece um contrato de responsabilidade com a sociedade. E na medida em que membros partidários exercem funções governamentais, o partido é co-responsável pelas decisões do governo. A responsabilidade mútua não deve significar que as instituições do partido se tornam o local das decisões governamentais. Significa que o partido, além de sugerir, deve ser solidário com as decisões do governo e emprestar-lhe o apoio público. O partido não está isento de ter propostas e opiniões deve obedecer o critério da mediação, evitando o oportunismo da irresponsabilidade negativa e o adesismo sem propósito.
Os partidos políticos tem uma função complexa, que se expressa numa relação de ambigüidade. Se adotarmos o modelo analítico centrado na dicotomia Estado/sociedade civil, podemos dizer que um partido – principalmente quando exerce o governo – vive em condição ambivalente de se situar nas duas esferas: no Estado e também na sociedade civil.
Um partido pertence à esfera da sociedade civil por ser um organismo de direito privado. Mas na medida em que, no sistema democrático, a escolha de quem governa é mediada pela relação entre partido e eleitor e que o governo é formado com base em partidos e coligações partidárias, torna-se evidente o interesse público em preservar e fortalecer o sistema de partidos. Os partidos, no governo, não devem expressar apenas relação de representação de interesses de indivíduos ou grupos determinados. Devem exercer, por princípio, também uma função de representação dos interesses gerais da sociedade. Isto os situa na esfera pública estatal.
A tradução concreta dessa função ambivalente pode ser visualizada da seguinte forma, no caso do PT ou de qualquer outro partido. Por ter vencido as eleições e participar do governo, o partido deve ser solidário, co-responsável e apoiar politicamente as decisões. Por outro lado, o partido deve manter autonomia em relação ao governo. Essa autonomia deve se expressar por meio de uma atividade própria, especificamente partidária, na esfera da sociedade. Essa autonomia desenvolve também mediante as discussões e decisões que o partido adota em relação às políticas governamentais.São apenas deliberações partidárias que são apresentadas ao governo com o caráter de sugestão.
Os membros do governo filiados ao partido devem levar em conta, de forma mediada, o programa e as propostas do partido. Mesmo que pretenda expressar e representar interesses gerais, um partido governista, num sistema democrático e pluralista, nunca deixará de ser parte. Um partido no governo não pode ter pretensão de representar ou encarnar toda a sociedade. Isto o tornaria autoritário ou totalitário.O governo democrático, embora seja formado à base de partidos, mas um governo da sociedade. O governo deve ser eminentemente público e republicano. Sua relação com os partidos e com as demais instituições da sociedade civil deve ser sempre mediada pelo interesse público geral.

Com base na análise aqui desenvolvida, podemos definir que as prioridades do PT, neste momento, são as seguintes:

1 – Fortalecer a sustentação política do governo na sociedade, no Congresso e junto aos demais partidos;
2 – Discutir e definir propostas e candidaturas partidárias quanto aos principais temas da agenda do país;
3 – Fortalecer a presença do PT junto aos movimentos e grupos sociais, na perspectiva de construir um diálogo positivo quanto às suas demandas e de fortalecer sua autonomia e as práticas democráticas;
4 – Preparar o partido nacionalmente para a tarefa das eleições 2010;
5 – Fortalecer as estruturas nacional, estaduais e principalmente as municipais do PT.


ANGELA PAULA www.pt-sp.org.br/blog/angelapaula

"Um soco no estômago" Comentário do Ex Ministro da Casa Civil Jose Dirceu sobre o tratamento preventivo da Ministra Dilma


Foi essa a sensação que senti ao receber a notícia de que a ministra-chefe da Casa Civil da presidência da República, Dilma Rousseff, estava com câncer e ia dar uma entrevista no sábado (25.04) pela manhã, para anunciar ao país que iniciaria um tratamento quimioterápico preventivo.Na vida não há nada linear, todos sabemos, mas quando chega a hora de enfrentar a realidade dura das derrotas ou doenças, sempre há um momento de suspense e um vazio. Momento, apenas, logo caímos no mundo real e começamos a enfrentar o novo, o aqui e o agora, já que a longa e dura batalha de nossa geração pela vida nos deu experiência suficiente para não aceitar nenhuma derrota sem lutar, sem enfrentar nossos demônios e fantasmas, reais ou virtuais, materiais ou espirituais. Ao ver a imagem da Dilma na TV falando da doença e do tratamento, tive a certeza de que ela vencerá e de que temos que lutar com ela, consolidando sua candidatura no PT, levando seu nome para a sociedade, construindo alianças e os palanques estaduais e, principalmente, elaborando um programa de governo.Com nosso apoio e o do presidente Lula ela sabe que pode contar. Dilma vencerá. E sabe, também, que conta com o PT e com milhões de brasileiros e brasileiras, que vão estar juntos a ela não somente nessa fase e para fazer o tratamento, como para percorrer todo o país levando nossa mensagem de continuidade do projeto que o atual presidente da República encarna, fazendo mais nos próximos 4 anos - depois de vencer a maior batalha da sua e das nossas vidas, que é a de 2010, elegendo-se presidente do Brasil, a primeira mulher a governar o país.

Dilma pode sair antes da hora para campanha. Prioridade agora deve ser acerto nos Estados


Otimista, ela acha ideal desacelerar agora e deixar cargo logo em janeiro

Vera Rosa, BRASÍLIA - O Estado SP

Pré-candidata do PT à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, está tão otimista em relação ao tratamento para combater o tumor detectado em seu sistema linfático que investe nos planos políticos e admite até mesmo a possibilidade de antecipar a saída do governo para janeiro de 2010 para se dedicar exclusivamente à campanha eleitoral. Em conversas reservadas com amigos, no fim de semana, Dilma disse que, se tudo correr bem como preveem os médicos, o ideal será reforçar a maratona eleitoral a partir de janeiro, mesmo porque agora ficará difícil acumular as atividades.

Apesar do ânimo demonstrado por Dilma, tudo dependerá de seu estado de saúde e o assunto é tratado com extrema cautela tanto no Palácio do Planalto como no PT. O afastamento antecipado da ministra, porém, não é consenso. Enquanto alguns avaliam que ela ficará sobrecarregada se tiver de “carregar” as funções de gerente do governo com a candidatura logo após passar por um tratamento delicado de saúde, com quimioterapia, outros acreditam que sua permanência na Casa Civil até o prazo-limite ainda é a melhor vitrine para a campanha. Pela lei, a ministra deve deixar o cargo até 3 de abril de 2010, seis meses antes do primeiro turno da eleição presidencial.

Lula considerou “abominável” a especulação sobre a mudança de candidato do PT. Ficou ainda mais contrariado ao saber que a oposição vislumbra o PT ressuscitando a tese do terceiro mandato para ele, sob o argumento de que o partido não conta com outros nomes eleitoralmente fortes. Para o presidente, análises assim são “infundadas e desrespeitosas”.

LICENÇA

No Planalto e na cúpula do PT não há, por enquanto, nenhum plano para troca de candidato. Na quinta-feira, quando foi informado por Dilma sobre a descoberta do linfoma - tumor no sistema linfático -, Lula chegou a perguntar a ela se gostaria de tirar licença para o tratamento. A ministra respondeu que não seria necessário. Garantiu que pode manter o ritmo de trabalho e até mesmo as viagens, intercalando os compromissos com acompanhamento médico durante quatro meses.

“Não exagere. Cuide-se!”, recomendou o presidente à chefe da Casa Civil. Considerada “caxias”, Dilma trabalha em média 14 horas por dia. Cuida de assuntos tão variados como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o plano nacional de habitação e a camada do pré-sal. Hoje, por exemplo, ela terá agenda cheia em Manaus, ao lado de Lula. Amanhã, também na capital do Amazonas, comandará mais uma reunião de balanço do PAC.

“A nossa preocupação inicial não é com a campanha, mas, sim, com o lado humano”, afirmou o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). “De qualquer forma, todos os prognósticos médicos indicam que ela tem condições não só de manter sua atividade no governo como a candidatura e, no momento apropriado, vamos formalizar isso.”

Amigo de Dilma, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos disse não ter dúvidas de que a chefe da Casa Civil vai superar a adversidade e ser candidata do PT. Thomaz Bastos almoçou no sábado com Dilma e com o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, logo após a entrevista coletiva concedida por ela no Hospital Sírio-Libanês.

Num restaurante da Rua Amauri, nos Jardins, a ministra recebeu a solidariedade de vários eleitores e posou para fotos até com crianças. “Fiquei com a melhor impressão dela sob o aspecto psicológico e físico. Achei que Dilma está muito animada”, contou Thomaz Bastos, que em 2007 enfrentou um câncer no pulmão e hoje está completamente curado.

Nos bastidores, auxiliares de Lula avaliam que a divulgação da doença não só é importante para pôr fim às especulações como vai aproximar Dilma da população, “humanizando” a candidata. Mesmo enfrentando percalços nas negociações com o PMDB para compor as alianças de 2010, o governo espera que a chefe da Casa Civil atinja 20% da preferência do eleitorado até dezembro.

Prioridade agora deve ser acerto nos Estados


Diretórios vêm reclamando que Lula tem ignorado os problemas das candidaturas a governador do PT


Vera Rosa, BRASÍLIA - O Estado SP

A freada que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, dará nos próximos meses em sua campanha para cuidar da saúde deverá garantir o tempo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisa para desfazer os nós políticos regionais que a candidatura enfrenta. Antes da descoberta dos problemas de saúde da ministra, Lula decidira procurar os principais líderes do PT para debelar focos de incêndio provocados pela falta de definição dos processos sucessórios nos Estados. O presidente decidiu agir ao perceber que importantes diretórios do partido ameaçam fazer uma espécie de “corpo mole” no apoio à divulgação da candidatura de Dilma.
Nos últimos 15 dias, Lula contatou o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e o governador da Bahia, Jaques Wagner, na tentativa de reverter esse cenário. Diretórios petistas importantes, como os de Minas, Bahia, São Paulo e Rio Grande do Sul, reclamam que o governo tem priorizado a disputa à Presidência e ignorado os problemas das candidaturas do partido aos governos. Mais: acham que o Planalto até incentiva concorrentes de outros partidos da base, em detrimento dos nomes apresentados pelos petistas.
É o caso da Bahia, onde o PT gostaria que Lula reduzisse o poder do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), e priorizasse o trabalho para reeleger o governador petista Jaques Wagner. Na avaliação da cúpula do PT, Geddel poderá até ser adversário direto na sucessão do Estado ou concorrer ao Senado contra o PT. Com esse argumento, entendem que não faz sentido o governo permitir que um adversário em potencial comande um ministério importante como o de Integração Nacional.
Em Minas, a intervenção do presidente começou a provocar algum resultado. Depois que Lula entrou em campo para conter as cotoveladas entre os aliados, principalmente na seara petista, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel combinou com Patrus fazer um gesto público para indicar que o PT de Minas está unido.
A preocupação com Minas, o segundo maior colégio eleitoral do País, tem motivo: enquanto Pimentel e Patrus brigam pela indicação do PT, o racha na base aliada se aprofunda, tornando cada vez mais difícil a construção de um palanque forte para a chefe da Casa Civil.
O ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), até agora líder das pesquisas para o governo mineiro, ameaça se aliar a Aécio caso o PT não o apoie na corrida ao Palácio da Liberdade. Aécio também é pré-candidato à Presidência e promete enfrentar o governador de São Paulo, José Serra, numa prévia para a escolha do concorrente tucano ao Planalto.
Para Lula, os estilhaços da briga entre as duas alas do PT e o PMDB de Hélio Costa podem atingir Dilma e acabar beneficiando os tucanos. Coordenador da campanha da ministra em Minas, Pimentel procurou Costa, na semana passada, para fazer-lhe um afago. Em público, todos falam em acordo, desde que eles próprios sejam cabeça de chapa.
“O PT tem de saber fazer concessão porque mais de um palanque dá curto-circuito. Sai faísca”, afirma o deputado José Genoino (SP). “O objetivo central é administrar os efeitos da crise econômica e eleger o sucessor do presidente Lula, em 2010. Isso condiciona tudo.??



SEM APOIO



Há Estados, porém, onde o PT e o PMDB são inimigos ferrenhos e irreconciliáveis, como São Paulo e Rio Grande do Sul. Para compensar a falta de apoio do PMDB no principal Estado da Federação, governado pelo PSDB, Lula planeja oferecer a vaga de vice na chapa de Dilma ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP).
Presidente nacional do PMDB, Temer se aproximou bastante do Planalto nos últimos meses. Também tem conversado com frequência com Dilma sobre as dificuldades para a montagem dos palanques estaduais. Nega, porém, que sua candidatura a vice já esteja acertada.
“O PMDB tanto pode ter candidato próprio como apoiar Dilma ou Serra. Temos três caminhos”, diz ele, diplomático. Na prática, o partido quer aguardar até o fim do ano para observar o desempenho da ministra da Casa Civil nas pesquisas e definir seu rumo. “Nós sabemos que o PMDB nunca estará unido e sempre terá um pezinho em cada canoa”, ironiza a senadora Ideli Salvatti (PT), de Santa Catarina, onde os dois partidos também vivem às turras.
Em São Paulo, Lula apelou pessoalmente para a ex-prefeita Marta Suplicy: pediu a ela que ajudasse a divulgar Dilma no Estado. Lula também pediu ao PT e à CUT que aproximem Dilma da área social, principalmente do Movimento dos Sem-Terra (MST).




Força Dilma


Apenas começavam a circular as informações sobre o câncer da ministra Dilma Rousseff, que a especulação sobre sua candidatura ganhou a página dos jornais.
Em 1980, às vésperas de ser eleito presidente da França, François Miterrand foi diagnosticado de um câncer. Apenas empossado começaria seu tratamento e durante 14 anos governou sem que a maioria dos cidadãos de seu país soubessem da doença do seu presidente. Diferentemente do tumor da Dilma, o câncer do presidente francês podia ser retardado, mas era incurável.
Mas enquanto na França a doença do presidente era ocultada aos seus cidadãos, aqui a transparência foi total mostrando que se pode lidar, sim, com a ação política e ao mesmo tempo enfrentar o tratamento de uma doença séria. José Alencar que o diga, ele que com sua coragem e força de viver, serve de guia aos que diariamente enfrentam desafios semelhantes.
Neste momento, tenho certeza que milhares de brasileiros torcem, junto com Dilma, para ela se recuperar rapidamente. Eu torço com eles pela saúde de nossa companheira.



fonte: blog leituras Favre

terça-feira, 7 de abril de 2009

Dilma não participou de ações militares

Na íntegra a carta do jornalista Antonio Roberto Espinosa, encaminhada à redação da Folha de S. Paulo, em protesto à distorção de suas palavras pelo jornal, em entrevista publicada no último domingo (05.04). Em sua resposta, Espinosa mostra, claramente, como a Folha distorce e manipula os fatos para prejudicar a ministra Dilma Rousseff. Confira:"À coluna Painel do Leitor

Prezados senhores,Chocado com a matéria publicada na edição de hoje (domingo, 5), páginas A8 a A10 deste jornal, a partir da chamada de capa "Grupo de Dilma planejou seqüestro de Delfim Neto", e da repercussão da mesma nos blogs de vários de seus articulistas e no jornal. Agora, do mesmo grupo, solicito a publicação desta carta na íntegra, sem edições ou cortes, na edição de amanhã, segunda-feira, 6 de abril, no "Painel do Leitor" (ou em espaço equivalente e com chamada de capa), para o restabelecimento da verdade, e sem prejuízo de outras medidas que vier a tomar. Esclareço preliminarmente que:
1) Não conheço pessoalmente a repórter Fernanda Odilla, pois fui entrevistado por ela somente por telefone. A propósito, estranho que um jornal do porte da Folha publique matérias dessa relevância com base somente em "investigações" telefônicas;
2) Nossa primeira conversa durou cerca de 3 horas e espero que tenha sido gravada. Desafio o jornal a publicar a entrevista na íntegra, para que o leitor a compare com o conteúdo da matéria editada. Esclareço que concedi a entrevista porque defendo a transparência e a clareza histórica, inclusive com a abertura dos arquivos da ditadura. Já concedi dezenas de entrevistas semelhantes a historiadores, jornalistas, estudantes e simples curiosos, e estou sempre disponível a todos os interessados;
3) Quem informou à Folha que o Superior Tribunal Militar (STM) guarda um precioso arquivo dos tempos da ditadura fui eu. A repórter, porém, não conseguiu acessar o arquivo, recorrendo novamente a mim, para que lhe fornecesse autorização pessoal por escrito, para investigar fatos relativos à minha participação na luta armada, não da ministra Dilma Rousseff. Posteriormente, por e-mail, fui novamente procurado pela repórter, que me enviou o croquis do trajeto para o sítio Gramadão, em Jundiaí, supostamente apreendido no aparelho em que eu residia, no bairro do Lins de Vasconcelos, Rio de Janeiro. Ela indagou se eu reconhecia o desenho como parte do levantamento para o seqüestro do então ministro da Fazenda Delfim Neto. Na oportunidade disse-lhe que era a primeira vez que via o croquis e, como jornalista que também sou, lhe sugeri que mostrasse o desenho ao próprio Delfim (co-signatário do Ato Institucional número 5, principal quadro civil do governo ditatorial e cúmplice das ilegalidades, assassinatos e torturas).
Afirmo publicamente que os editores da Folha transformaram um não-fato de 40 anos atrás (o seqüestro que não houve de Delfim) num factóide do presente (iniciando uma forma sórdida de anticampanha contra a Ministra). A direção do jornal (ou a sua repórter, pouco importa) tomou como provas conclusivas somente o suposto croquis e a distorção grosseira de uma longa entrevista que concedi sobre a história da VAR-Palmares. Ou seja, praticou o pior tipo de jornalismo sensacionalista, algo que envergonha a profissão que também exerço há mais de 35 anos, entre os quais por dois meses na Última Hora, sob a direção de Samuel Wayner (demitido que fui pela intolerância do falecido Octávio Frias a pessoas com um passado político de lutas democráticas).

A respeito da natureza tendenciosa da edição da referida matéria faço questão de esclarecer:
1) A VAR-Palmares não era o "grupo da Dilma", mas uma organização política de resistência à infame ditadura que se alastrava sobre nosso país, que só era branda para os que se beneficiavam dela. Em virtude de sua defesa da democracia, da igualdade social e do socialismo, teve dezenas de seus militantes covardemente assassinados nos porões do regime, como Chael Charles Shreier, Yara Iavelberg, Carlos Roberto Zanirato, João Domingues da Silva, Fernando Ruivo e Carlos Alberto Soares de Freitas. O mais importante, hoje, não é saber se a estratégia e as táticas da organização estavam corretas ou não, mas que ela integrava a ampla resistência contra um regime ilegítimo, instaurado pela força bruta de um golpe militar;

Dilma Rousseff
2) Dilma Rousseff era militante da VAR-Palmares, sim, como é de conhecimento público, mas sempre teve uma militância somente política, ou seja, jamais participou de ações ou do planejamento de ações militares. O responsável nacional pelo setor militar da organização naquele período era eu, Antonio Roberto Espinosa. E assumo a responsabilidade moral e política por nossas iniciativas, denunciando como sórdidas as insinuações contra Dilma;
3) Dilma sequer teria como conhecer a idéia da ação, a menos que fosse informada por mim, o que, se ocorreu, foi para o conjunto do Comando Nacional e em termos rápidos e vagos. Isto porque a VAR-Palmares era uma organização clandestina e se preocupava com a segurança de seus quadros e planos, sem contar que "informação política" é algo completamente distinto de "informação factual". Jamais eu diria a qualquer pessoa, mesmo do comando nacional, algo tão ingênuo, inútil e contraproducente como "vamos seqüestrar o Delfim, você concorda?". O que disse à repórter é que informei politicamente ao nacional, que ficava no Rio de Janeiro, que o Regional de São Paulo estava fazendo um levantamento de um quadro importante do governo, talvez para seqüestro e resgate de companheiros então em precárias condições de saúde e em risco de morte pelas torturas sofridas. A esse propósito, convém lembrar que o próprio companheiro Carlos Marighela, comandante nacional da ALN, não ficou sabendo do seqüestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick. Por que, então, a Dilma deveria ser informada da ação contra o Delfim? É perfeitamente compreensível que ela não tivesse essa informação e totalmente crível que o próprio Carlos Araújo, seu então companheiro, diga hoje não se lembrar de nada;
4) A Folha, que errou a grafia de meu nome e uma de minhas ocupações atuais (não sou "doutorando em Relações Internacionais", mas em Ciência Política), também informou na capa que havia um plano detalhado e que "a ação chegou a ter data e local definidos". Se foi assim, qual era o local definido, o dia e a hora? Desafio que os editores mostrem a gravação em que eu teria informado isso à repórter;
5) Uma coisa elementar para quem viveu a época: qualquer plano de ação envolvia aspectos técnicos (ou seja, mais de caráter militar) e políticos. O levantamento (que é efetivamente o que estava sendo feito, não nego) seria apenas o começo do começo. Essa parte poderia ficar pronta em mais duas ou três semanas. Reiterando: o Comando Regional de São Paulo ainda não sabia com certeza sequer a freqüência e regularidade das visitas de Delfim a seu amigo no sítio. Depois disso seria preciso fazer o plano militar, ou seja, como a ação poderia ocorrer tecnicamente: planejamento logístico, armas, locais de esconderijo etc. Somente após o plano militar seria elaborado o plano político, a parte mais complicada e delicada de uma operação dessa natureza, que envolveria a estratégia de negociações, a definição das exigências para troca, a lista de companheiros a serem libertados, o manifesto ou declaração pública à nação etc. O comando nacional só participaria do planejamento, portanto, mais tarde, na sua fase política. Até pode ser que, no momento oportuno, viesse a delegar essa função a seus quadros mais experientes, possivelmente eu, o Carlos Araújo ou o Carlos Alberto, dificilmente a Dilma ou Mariano José da Silva, o Loiola, que haviam acabado de ser eleitos para a direção; no caso dela, sequer tinha vivência militar;
6) Chocou-me, portanto, a seleção arbitrária e edição de má-fé da entrevista, pois, em alguns dias e sem recursos sequer para uma entrevista pessoal - apelando para telefonemas e e-mails, e dependendo das orientações de um jornalista mais experiente, no caso o próprio entrevistado -, a repórter chegou a conclusões mais peremptórias do que a própria polícia da ditadura, amparada em torturas e num absurdo poder discricionário. Prova disso é que nenhum de nós foi incriminado por isso na época pelos oficiais militares e delegados dos famigerados DOI-CODI e DEOPS e eu não fui denunciado por qualquer um dos três promotores militares das auditorias onde respondi a processos, a Primeira e a Segunda auditorias de Guerra, de São Paulo, e a Segunda Auditoria da Marinha, do Rio de Janeiro.
Osasco, 5 de abril de 2009.
"Antonio Roberto Espinosa é jornalista, professor de Política Internacional, doutorando em Ciência Política pela USP, autor de Abraços que sufocam - E outros ensaios sobre a liberdade e editor da Enciclopédia Contemporânea da América Latina e do Caribe."

Lula pede e Marta vai liderar campanha de Dilma em SP



ANNE WARTH - Agencia Estado

SÃO PAULO - A ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT) disse hoje que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lhe pediu que assumisse uma postura de liderança na preparação da campanha à Presidência em 2010 da virtual candidata e ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Marta já teve papel semelhante ao coordenar a campanha pela reeleição do presidente Lula em São Paulo, em 2006. Segundo ela, o trabalho já tem sido feito junto às bases do partido no Estado e aos novos filiados.

“Foi um convite do presidente também ao João Paulo (ex-prefeito de Recife) e ao Fernando Pimentel (ex-prefeito de Belo Horizonte) para que assumíssemos uma postura de liderança. Tenho conversado e trabalhado junto com o PT e com o Edinho Silva (presidente estadual da legenda) e estamos caminhando bem. Vamos ter agora grandes eventos no Estado e espero que a militância do PT compareça”, disse ela, após participar do debate O Brasil Diante da Crise Mundial, na Assembleia Legislativa de São Paulo.
Embora cada vez mais exerça um papel de destaque no governo Lula e seja a coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Pacote Nacional de Habitação (Minha Casa, Minha Vida), a eventual candidatura da ministra não foi assumida oficialmente nem por Dilma nem pelo presidente Lula. “Pessoalmente, tenho feito um trabalho de base. Nesta semana, estive em Suzano e em Jandira. É um trabalho de militância mesmo, pé no barro. Eu gosto disso e estou tendo prazer em fazer”, afirmou.

Marta, que deixou o cargo de ministra do Turismo para concorrer no ano passado às eleições para a Prefeitura da capital paulista, na qual foi derrotada pelo atual prefeito Gilberto Kassab (DEM), disse que assumir a função de coordenar a pré-campanha de Dilma em São Paulo só foi possível porque ela não está exercendo nenhum cargo no Executivo ou no Legislativo.
“Estou fazendo um trabalho de base, com o povo mesmo e com os novos filiados que estão entrando. Explico o porquê da nossa candidata, o que é o PT e o nosso governo. Estou gostando de fazer porque estive por muito tempo em cargos que não me permitiam isso. É muito bom voltar às bases, amassar barro. Estou gostando”, afirmou.

Palocci

Marta disse também que apoia a candidatura do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci para o governo de São Paulo em 2010. Na avaliação dela, Palocci, atualmente deputado federal pelo PT em São Paulo, é o melhor nome da legenda para o cargo. “É o que mais agrega. É um nome de consenso no partido. Os outros postulantes não são postulantes caso ele seja o candidato”, afirmou. “Sua experiência nacional, maturidade, capacidade de articular e bom relacionamento com todas as classes sociais fazem com que ele seja, neste momento, o candidato mais adequado para o Estado de São Paulo.”

Palocci, que falou no evento sobre a economia brasileira e os impactos da crise financeira internacional no País, deixou a Assembleia às pressas e respondeu a poucas perguntas dos jornalistas. Questionado sobre a candidatura ao governo de São Paulo, ele respondeu que ainda é cedo para haver discussões conclusivas sobre o assunto. “É normal que o partido debata, mas a escolha do candidato no PT é só no ano que vem”, respondeu.
“Não vou dizer que nunca passou pela minha cabeça”, disse Palocci, que já foi prefeito de Ribeirão Preto. Questionado sobre se está preocupado com o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) do caso de quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, respondeu: “Não, estou aguardando”.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Prefeito de Osasco busca apoio


Visto como plano ‘B’, Emidio de Souza roda Estado

Clarissa Oliveira - O Estado SP

Enquanto o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci aguarda uma posição do Supremo Tribunal Federal (STF) para dar a largada nas articulações para 2010, o prefeito de Osasco, Emidio de Souza, não perde tempo. Citado corriqueiramente no PT paulista como “plano B” para o caso de a candidatura de Palocci naufragar, Emidio diz que está determinado a conseguir a cabeça de chapa. “Meu nome apareceu como alternativa e acho que está se transformando em plano A”, afirma o prefeito.

No PT desde a fundação do partido, no início dos anos 80, Emidio foi vereador e deputado estadual, antes de se eleger prefeito de Osasco pela primeira vez, em 2004. Em 2006, mesmo ano em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reelegeu, ele conseguiu renovar seu mandato.
Mostrando-se despreocupado em deixar o cargo no meio do mandato, se conseguir viabilizar a candidatura ao governo, ele já começou a rodar o Estado em busca de apoio. A prioridade, por enquanto, é conversar com dirigentes partidários e buscar apoio de prefeitos petistas.
Os encontros têm sido frequentes. Somente nas últimas semanas, Emidio encaixou em sua agenda visitas a Sorocaba e Campinas, e a vários municípios da Baixada Santista e da Grande São Paulo. Ele também tem conversado corriqueiramente com deputados estaduais e federais. Em todos os casos, aproveitou os encontros para articular sua pré-candidatura.

Aliado tradicional do deputado João Paulo Cunha (SP), Emidio é apontado por setores do PT como a principal carta na manga do parlamentar, para garantir seu espaço nas negociações para 2010. Até os que se dizem favoráveis ao nome do prefeito reconhecem que, fora de Osasco, ele é muito pouco conhecido do eleitorado.
Em resposta, Emidio investe na tese de que o fato de ser citado entre os cotados para a eleição deve-se justamente à dificuldade que o PT enfrenta para encontrar um candidato natural para a vaga. “O PT precisa de nomes novos”, diz Emidio. Marta Suplicy, que até o ano passado era apontada como provável integrante da disputa, saiu enfraquecida da eleição de 2008. Já o senador Aloizio Mercadante (SP), que concorreu em 2006, diz que a prioridade é renovar seu mandato.

Apesar de dizer que pretende trabalhar pela candidatura, Emidio nega qualquer plano de enfrentar Palocci numa eventual disputa interna do partido. Otimista, ele diz acreditar que o PT escolherá seu candidato para o Palácio dos Bandeirantes por consenso. “Esta escolha acontecerá sem prévia”, diz o prefeito. E a preferência por seu nome, diz, virá com o aval do presidente Lula.

O nome de Palocci é consenso no PT, mas já tem plano B



Petistas querem que Palocci ignore Supremo

Clarissa Oliveira - O Estado SP

Setores do PT empenhados em articular o nome do ex-ministro Antonio Palocci ao governo paulista em 2010 começaram a pôr em prática uma campanha para que ele admita o interesse em disputar e dê o sinal verde para os preparativos da corrida eleitoral. Preocupados em garantir seu próprio espaço nas negociações, petistas que endossam Palocci querem convencê-lo a ignorar o caso que corre contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF), pela quebra de sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa.O clima de ansiedade deve-se à avaliação de que, se o Supremo demorar demais a julgar o caso, aumenta o risco de perder espaço para outros interessados em disputar o Palácio dos Bandeirantes. O maior temor, entretanto, é o de que o ex-ministro simplesmente desista de concorrer.

Palocci, conforme revelou o Estado, foi apontado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como seu favorito para a vaga, em conversa com o senador Aloizio Mercadante (SP) a bordo do Aerolula. O ex-ministro da Fazenda tem sido cauteloso. Em conversas com dirigentes petistas, diz que prefere não “provocar” ministros do STF.
A ideia de firmar o quanto antes o nome de Palocci vem ganhando força, por exemplo, em setores da corrente petista Novo Rumo para o PT, que reúne diversos parlamentares ligados à ex-ministra Marta Suplicy.

Palocci tornou-se a principal opção do time de Marta após a ex-ministra sair derrotada da eleição pela prefeitura paulistana. Preocupados em ter um candidato alinhado a seu grupo, martistas querem barrar o avanço de outros possíveis nomes, como o do ministro da Educação, Fernando Haddad.

“Palocci é o melhor nome. Não foi sequer aceita a denúncia contra ele. Não há nenhum motivo para ficar com essa expectativa”, diz o deputado Carlos Zarattini (SP), que coordenou a campanha de Marta em São Paulo. “Temos que colocar a campanha na rua.”
No fim de 2008, o STF chegou a incluir na pauta a análise da denúncia contra Palocci, mas adiou a votação. Na época, o presidente do tribunal, ministro Gilmar Mendes, chegou dizer que decidiria se aceita a denúncia até fevereiro. Os meses se passaram e o assunto continua fora da pauta.

“O ministro Palocci tem condições de ser um aglutinador. Se demorar muito, vamos perdendo terreno”, observa o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP). Também membro da corrente, o líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), desconversa sobre as intenções de Palocci de concorrer. “Sou amigo pessoal do Palocci e nunca o ouvi dizer que é pré-candidato.”

FRASES

Carlos Zarattini Deputado

“Palocci é o melhor nome. Não foi sequer aceita ainda a denúncia contra ele. Não há nenhum motivo para ficar com essa expectativa”

Devanir Ribeiro Deputado

“Se demorar muito, vamos perdendo terreno”

Cândido VaccarezzaLíder do PT Câmara
“Nunca o ouvi (Palocci) dizer que é pré-candidato”

Lançado plano para reformular a Flona nos próximos meses

A Floresta Nacional de Ipanema (Flona), em Iperó, deve passar por reformulação e revitalização nos próximos meses. O objetivo é melhorar a estrutura de visitação do espaço, fomentando a conscientização, preservação e educação ambiental. Além disso, será lançada nas próximas semanas uma campanha para a escolha de um mascote para a unidade. As novas propostas de gestão da Flona foram divulgadas ontem pela chefia da Floresta, num encontro entre a imprensa, poder público e privado da região.

De acordo com o chefe da Flona, Alexandre Zanarini Cordeiro (FOTO), desde 2006 o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - criado pelo Governo Federal - tem por objetivo revitalizar e preservar as unidades de conservação do País. Por conta disso, uma proposta de revitalização da Flona - que é uma unidade de uso sustentável - passou a ser projetada.
O objetivo, destacou ele, é criar mecanismos de preservação dos 5 mil hectares de remanescente de Mata Atlântica, através de ações ambientais, e simultaneamente fomentar a visitação no local, patrimônio histórico-cultural da humanidade. Segundo Cordeiro, além da fauna e flora, o patrimonio histórico da Flona devem ser preservados, assim como seus recursos hídricos.
Nós temos aqui concentrados todos os animais na lista de predadores, exceto a onça-pintada, além de 193 nascentes. Isso evidencia a saúde da floresta. Precisamos instalar políticas públicas para que seja preservada e mais, que os ‘proprietários, que somos nós, possamos utilizar esse espaço, destacou.

As medidas de revitalização e preservação do espaço já começaram a ser tomadas. De acordo com o chefe da Floresta, os 35 funcionários da Flona já passaram por cursos de reciclagem, as trilhas existentes para utilização de turistas começaram a passar por manutenção.
Atualmente não temos disposição de sanitários suficientes para atender um número elevado de visitantes, mas já estamos captando recursos para ampliar o número de banheiros e em breve estaremos prontos. A intenção é que a comunidade ao redor da floresta resgate o sentimento de que isso aqui lhes pertence, afirmou.

E o mascote?

Como forma de aproximação com o público será lançada nas próximas semanas a campanha de escolha do mascote da Flona. Intitulada Qual é o bicho?, a campanha será realizada nos quatro municípios que fazem parte da Floresta (Capela do Alto, Iperó, Araçoiaba da Serra e Sorocaba).
O objetivo é que o público escolha o animal que será símbolo da Flona. Uma comissão estuda quais serão os candidatos, por enquanto, há quatro propostas, como a jaguatirica e o urubu-rei (ameaçados de extinção no Estado), o lagarto teiú e a cascavel (devido ao grande número existente na Flona).

Se a Justiça Eleitoral permitir, queremos instalar uma urna eletrônica em cada uma das quatro cidades para que a comunidade escolha nosso animal representante, afirmou Cordeiro. A eleição deverá acontecer entre o dia 20 de maio - dia de instalação da Flona - e 5 de junho, próximo, dia mundial do meio ambiente. Informações (15) 3266.9090.
FONTE: Leila Gapy /Notícia publicada na edição de 04/04/2009 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 2 do caderno B - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h. ACESSE : http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia.phl?editoria=36&id=174247

Francisco de Oliveira: Está é a primeira crise da globalização

A crise que aí está é a primeira da globalização, não a primeira global, pois de há muito todas as crises produzidas no centro do sistema propagam-se imediatamente. Uma crise da globalização é diferente: ela pode ser gestada nas periferias do sistema, atingir o centro e daí propagar-se. Teoricamente, ela é uma crise clássica na interpretação marxista: é de realização do valor, mas aqui está sua novidade: a produção do valor se dá na China e sua realização nos EUA. É no que pode dar a assimetria entre os 10% de crescimento da China e os modestos 3 a 4% dos EUA.Nos últimos vinte anos, o capitalismo mundial experimenta uma violentíssima expansão: 800 milhões de trabalhadores foram transformados em operários entre a Índia e a China, e em todos os países do vastíssimo arco asiático. Ficaram de fora nessa verdadeira revolução capitalista, a África, como sempre, e praticamente toda a América Latina.Uma ampliação quase sem precedentes na história mundial das fronteiras da mais-valia. Descentralidade do trabalho? Vade retro! Com certeza, quem escreve e quem lê estão calçando um tênis e usando um relógio digital produzidos nessa nova fronteira. Isto quer dizer em teoria do valor que o custo de reprodução da força de trabalho nos países que importam tais bens de consumo foi drasticamente reduzido, sem a contrapartida de um aumento do salário monetário das suas classes trabalhadoras; Robert Kurz já os chamou, faz tempo, “sujeitos monetários sem dinheiro”.Flynt (GM), Dearborn (Ford) e toda Detroit são hoje cidades fantasmas, casas abandonadas, com desempregos duas vezes superiores à taxa nacional norte-americana, e uma cena medieval diária, inimaginavel na América das oportunidades: trabalhadores em filas recebendo refeições; ao invés de Lutero e Calvino, São Francisco de Assis.Atenção: esta revolução nos mercados de trabalho mundiais não poderia ter sido feita sem uma pesada mudança técnico-científica nos métodos e produtos. O relógio digital que se descarta é banal porque produzido por uma enorme infra-estrutura técnico-científica que tornou as imensas reservas de mão-de-obra baratíssimas. A China hoje tem mais estudantes de curso universitário que os EUA, e mais pós-graduandos que o total de estudantes universitários do Brasil.Nos EUA isto significou que a não-contrapartida em salário monetário deixou um buraco nas contas dos consumidores e das famílias, que no boom da especulação imobiliária tinham adquirido a casa dos seus sonhos. Cujos empréstimos os norte-americanos imediatamente deixam de pagar, abandonam as casas e vão morar nos trailers de seus carrões, estacionados à noite nos parkings, onde dormem. E os bancos e financeiras hipotecárias deixaram até de cobrar, porque o crédito novo, obtido através do FED e dos empréstimos chineses, era mais barato do que cobrar dos inadimplentes.A oferta de dinheiro barato, as subprimes, veio das aplicações chinesas em títulos do tesouro americano, cujo FED deixou os bancos privados expandirem o crédito para além de qualquer critério. Já em março de 2005, Ben Bernanke, então importante economista de Princeton, alertava para o risco da utilização dos empréstimos chineses para financiar os pesados gastos das famílias norte-americanas, em hipotecas de casas e carros. Ben é hoje o todo-poderoso presidente do FED, e de crítico converteu-se em administrador da bancarrota (citado em Mark Landler, “Somente os bolsos chineses se enchiam” Folha de S.Paulo, 5/jan/2009, artigos selecionados do The New York Times).

*Francisco de Oliveira é Professor Emérito da FFLCH-USP.

As elites e o “fardo do homem branco”




Lula em encontro com Gordon Brow em 26 de Março de 2009: É uma crise causada e fomentada por comportamentos irracionais de gente branca de olhos azuis que, antes da crise, pareciam que sabiam tudo e que agora demonstra não saber nada.

Gordon Brown: [silêncio constrangedor]

Lula respondendo as críticas de um repórter inglês: Como eu não conheço nenhum banqueiro negro ou índio, eu só posso dizer que essa parte da humanidade que é a mais, eu diria, vítima do mundo pague por uma crise. Não é possível

Carlos Alberto Sardenberg na Rádio CBN em 27 de Março: O presidente foi infeliz, achou que estava num comício com metalúrgicos e acabou criando uma situação de muito constrangimento para o país, foi reprovado pela imprensa internacional [...] não é um fato isolado, ele sempre faz isso.

Bom Dia Brasil em 27 de Março: O primeiro ministro britânico ficou visivelmente constrangido.
Boris Casoy: isto éee uma vergonha, repito...!

Globo.Com: O Finacial Times diz que Brow tentou se distanciar fisicamente de Lula, quando ouviu tal declaração.

Globo.Com: Lula fomenta questão racial

Presidente Obama: Esse é o cara!

Argemiro Ferreira, Carta Maior: ...não consigo deixar de pensar na humilhação de FHC, o farol de Alexandria, que se orgulha de ter feito tanto para enfeitar a imagem de seu país aos olhos dos ricos do mundo.

Carta Maior referindo-se a um artigo do Times: Por que é tão engraçado um operário, torneiro mecânico, ser presidente? Por que é tão divertido Lula dizer o que bilhões de pessoas pensam hoje? Aposto que não ia parecer piada se parentes de vocês estivessem morrendo de cólera porque em Nova York um banqueiro irresponsável decidiu brincar de roleta e falir o país deles.
FONTE: BLOG BAH! CAROÇO/ Fábio Cassimiro

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O Brasil de Lula sai bem na foto.

Tinha acabado de escrever o post abaixo quando vi a manchete no portal Globo.com:

“Obama diz que Lula é o político mais popular da Terra”

Diz a nota:

“Obama troca um aperto de mãos com o presidente brasileiro, olha pra o primeiro ministro da Austrália, Kevin Rudd, e diz, apontando para Lula:
“Esse é o cara! Eu adoro esse cara!”
Em seguida, enquanto Lula cumprimenta Rudd, Obama diz, novamente apontando para Lula:
“Esse é o político mais popular da Terra”.
Rudd aproveita a deixa e diz:
“O mais popular político de longo mandato”.
“É porque ele é boa pinta…’, acrescenta Obama.
Para quem duvidar, a cena aparece em vídeo gravado pela BBC.
Na foto dos 31 líderes mundiais reunidos quarta-feira no encontro ampliado do G20 em Londres para decidir os novos rumos do planeta diante da crise, o presidente Lula aparece sentado, sorridente ao lado da rainha Elizabeth 2ª e do anfitrião, o primeiro-ministro britânico Gordon Brown.
Atrás dele, em pé, com o mesmo sorriso franco, está o homem mais poderoso do mundo, Barack Obama, o presidente dos Estados Unidos, que deixou o Clóvis Rossi tão encantado durante uma entrevista que nem falou da foto em sua coluna.
Pode parecer um detalhe banal, tanto que a foto não está nem na primeira página da Folha, o jornal que assino e leio no café da manhã. Também não se faz, nos caudalosos textos das páginas internas, qualquer referência à posição privilegiada do nosso presidente na foto oficial.
Quais foram os critérios? Quem determinou onde ficaria cada um dos líderes? Gostaria de saber. Será que não havia nenhum repórter lá quando este time dos donos do poder mundial se ajeitou e posou para a fotografia?
Trata-se de uma imagem emblemática sobre a nova posição que o Brasil ocupa no mundo, pois até pouco tempo atrás não era tão comum o nosso país participar de reuniões deste porte, muito menos o presidente brasileiro sair tão bem na foto, cheio de graça e moral.
“Para um torneiro-mecânico até que está bom demais…”, eu costumava brincar com ele quando o acompanhava a estas reuniões nos dois primeiros anos de governo. Até para o próprio Lula, acho que tudo isso já virou rotina e nem lhe chama mais a atenção.
Mais importante do que a imagem, porém, é a nova atitude da delegação brasileira nestes encontros. Ao invés de ir lá mendigar ajuda ao FMI para não quebrar, agora o Brasil toma a iniciativa de propor uma reforma deste organismo multilateral _ e se propõe a ajudar os países mais pobres.
“Vamos falar de igual para igual. Se for necessário colocar dinheiro como empréstimo, desde que não diminua nossas reservas, não tem problema. O Brasil não vai agir como se fosse um paisinho pequeno sem importância”, avisou Lula na entrevista que concedeu na viagem de trem até Londres, depois de almoçar com o presidente francês Nicolas Sarkosy, em Paris.
Ele agora pode falar isso porque o Brasil durante seu governo não só zerou a famigerada dívida externa como tem hoje mais de 200 bilhões de dólares em reservas internacionais.
Em seis anos e três meses de governo, o antigo líder sindical mudou a cara do Brasil lá fora e é recebido e respeitado pelos principais líderes mundiais como um igual. Hoje à tarde, por exemplo, terá um encontro bilateral solicitado pelo presidente da China, Hu Jintao.
Lula, de fato, não precisa ler os jornais brasileiros para saber o que pensam os homens que decidem os destinos da economia mundial. Fala diretamente com eles e por eles é ouvido como jamais aconteceu antes com qualquer outro presidente brasileiro.
Sei que alguns leitores vão se sentir injuriados e pessoalmente ofendidos com o texto acima. Mas estes são os fatos, meus caros amigos, não há mais como negar. E me sinto muito feliz por poder relatá-los a vocês, ao contrário de alguns colegas que insistem em esconder a realidade

Fonte: Balaio Kotscho http://colunistas.ig.com.br/ricardokotscho/2009/04/02/o-brasil-de-lula-sai-bem-na-foto/#comments