O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro, em seu discurso no lançamento do programa "Minha Casa, Minha Vida", que não aceitará cobranças de cumprir a meta de construção de um milhão de casas populares - considerada por ele como um "desafio" - até o final do mandato. Ao lançar o plano, Lula disse que o cumprimento da meta depende do esforço do setor da construção civil, de prefeitos, governadores e até de arquitetos. "Não tem data; portanto ninguém me cobre fazer um milhão de casas em dois anos", afirmou o presidente. "A gente não tem de se importar com o tempo. Gostaria que terminássemos em 2009. Se não conseguirmos, 2010 ou 2011..."Em tom de desabafo, Lula disse que eventuais problemas para o cumprimento da meta não poderiam ser apenas creditados aos órgãos públicos. "Não é por maldade da máquina pública, mas da sociedade brasileira que a tornou assim." O presidente fez um apelo para que prefeitos e governadores apresentem imediatamente projetos bem trabalhados para acelerar a construção das casas. "Agora, precisamos de projetos para que a gente consiga ''desovar'' o dinheiro, porque senão o Guido (ministro da Fazenda, Guido Mantega) vai dizer que o fluxo do Tesouro está se exaurindo", disse o presidente, rindo e referindo-se a habitual trecho de discursos de Mantega.Lula disse que é "extremamente importante" que os prefeitos e governadores apresentem logo seus projetos à Caixa Econômica Federal. "A Caixa parece que está altamente preparada para, a partir de 13 de abril, a gente começar a funcionar a pleno vapor", afirmou ele, dirigindo o olhar à presidente da Caixa, Maria Fernanda Coelho, e comentando sobre sua elegância.
quarta-feira, 25 de março de 2009
Famílias que ganham até 3 salários terão imóveis de até 42 m2
EDUARDO CUCOLO da Folha Online, em Brasília
As famílias com renda até três salários mínimos que serão beneficiadas com o programa habitacional lançado hoje serão selecionadas por Estados e municípios tendo como base as informações do chamada CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal). As pessoas nesta faixa de renda terão 400 mil casas do total de 1 milhão de unidades previstas.
As obras serão selecionadas pelas Superintendência Regionais da Caixa Econômica Federal de acordo com os projetos apresentados pelas construtoras. O banco será responsável pela contratação, pelo acompanhamento da obra e pela liberação dos recursos.
Haverá dois tipos de moradias. Casas térreas com 35 m2 e apartamentos de 42 m2. Ambos terão sala, cozinha, banheiro, dois dormitórios e área de serviço. Os prédios serão de quatro ou cinco pavimentos, com quatro unidades por andar.
Todas as casas do programa terão sistema de aquecimento solar térmico, o que pode reduzir a conta de luz em até 30%.
Para conseguir o financiamento, além de constar no Cadastro Único, não será permitido que a pessoa já tenha se beneficiado de alguma programa de habitação do governo e não pode possuir casa própria ou financiamento em andamento.
A prestação mínima será de R$ 50, limitada a 10% da renda, o pagamento poderá ser feito em dez anos, com correção anual pela TR (Taxa Referencial), a mesma usada na correção da poupança.
Não será necessário dar entrada, e o pagamento só começa após a conclusão da obra. Também haverá isenção no seguro por morte ou invalidez permanente, e no seguro por danos físicos do imóvel.
O interessado em ingressar no programa deve procurar a prefeitura, Estado ou um movimento social para se cadastrar.
As famílias com renda até três salários mínimos que serão beneficiadas com o programa habitacional lançado hoje serão selecionadas por Estados e municípios tendo como base as informações do chamada CadÚnico (Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal). As pessoas nesta faixa de renda terão 400 mil casas do total de 1 milhão de unidades previstas.
As obras serão selecionadas pelas Superintendência Regionais da Caixa Econômica Federal de acordo com os projetos apresentados pelas construtoras. O banco será responsável pela contratação, pelo acompanhamento da obra e pela liberação dos recursos.
Haverá dois tipos de moradias. Casas térreas com 35 m2 e apartamentos de 42 m2. Ambos terão sala, cozinha, banheiro, dois dormitórios e área de serviço. Os prédios serão de quatro ou cinco pavimentos, com quatro unidades por andar.
Todas as casas do programa terão sistema de aquecimento solar térmico, o que pode reduzir a conta de luz em até 30%.
Para conseguir o financiamento, além de constar no Cadastro Único, não será permitido que a pessoa já tenha se beneficiado de alguma programa de habitação do governo e não pode possuir casa própria ou financiamento em andamento.
A prestação mínima será de R$ 50, limitada a 10% da renda, o pagamento poderá ser feito em dez anos, com correção anual pela TR (Taxa Referencial), a mesma usada na correção da poupança.
Não será necessário dar entrada, e o pagamento só começa após a conclusão da obra. Também haverá isenção no seguro por morte ou invalidez permanente, e no seguro por danos físicos do imóvel.
O interessado em ingressar no programa deve procurar a prefeitura, Estado ou um movimento social para se cadastrar.
Tesouro vai dar subsídios de R$ 16 bi para o bolsa-habitação
Dinheiro vai para famílias com renda de até 3 mínimos, que pagarão prestações simbólicas ou receberão a casa de graça
Lu Aiko Otta e Isabel Sobral, BRASÍLIA - O Estado SP
O governo terá R$ 16 bilhões em recursos do Orçamento para o “bolsa habitação”, o programa que subsidiará casas a prestações simbólicas para as famílias com renda de até três salários mínimos (R$ 1.395), informam fontes da área econômica. Segundo o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, esse grupo terá “subsídio total”, ou seja, a casa poderá até sair de graça.
“Será a primeira vez que o Orçamento Geral da União vai aportar um volume tão grande de recursos somente para subsídio.” O dinheiro não será todo desembolsado este ano. Ele sairá dos cofres públicos ao longo dos contratos, que durarão 20 a 30 anos. No entanto, o Tesouro terá de fazer uma provisão conforme os contratos forem assinados. A expectativa dos técnicos é que o grosso do provisionamento ocorra em 2010.
O pacote da habitação, porém, contempla outras faixas de renda. Ontem, o Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aprovou um novo orçamento, que destina um total de R$ 4 bilhões para subsidiar este ano empréstimos habitacionais para os mutuários com renda entre três e seis salários mínimos. No programa inteiro, que pretende construir 1 milhão de casas num prazo indeterminado, os subsídios do FGTS chegarão a R$ 12 bilhões.
Esses subsídios servem para baixar o juro e o valor da prestação da casa própria, segundo explicou o representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Conselho, Jacy Afonso. Os recursos são entregues ao agente financeiro.
No total, o FGTS aprovou ontem um orçamento de R$ 23 bilhões para financiamento da casa própria para as famílias com renda entre três e dez salários mínimos. Foi um acréscimo de R$ 13 bilhões à proposta original. Além dos R$ 4 bilhões de subsídios, haverá R$ 19 bilhões para financiamentos com juros que variam de 5% a 8,6% ao ano.
O pacote da habitação, uma das plataformas de campanha da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República, será anunciado hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva numa grande festa política. Foram convidados todos os governadores, todos os prefeitos de capitais e de cidades com mais de 150 mil habitantes, empresários do setor, senadores e deputados, além de representantes de movimentos sociais ligados à habitação. O lançamento das medidas vem sendo adiado desde dezembro do ano passado.
A construção de 1 milhão de moradias vai criar 532 mil empregos diretos, segundo estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), sob encomenda do governo. O impulso do pacote no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) será de 0,7 ponto porcentual.
“Serão medidas de grande impacto”, disse o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. “É uma alternativa para enfrentar a crise e, sobretudo, para gerar emprego”, disse o vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Wellington Moreira Franco.
Carlos Lupi afirmou que o pacote da habitação não põe em risco a saúde do FGTS. “Não haverá desequilíbrio porque o FGTS tem um patrimônio de R$ 200 bilhões, está saudável e muito forte.”
O Conselho Curador do FGTS também aprovou ontem um acréscimo de R$ 3 bilhões para os projetos de saneamento e de R$ 1 bilhão para renovação de frota de ônibus este ano. Segundo Lupi, esses dois programas criarão 260 mil empregos diretos e vão acrescentar 0,3 ponto porcentual no PIB.
O pacote a ser anunciado hoje também deverá conter medidas para atender à classe média. O valor máximo dos imóveis que podem ser comprados com o saldo do FGTS do mutuário, atualmente em R$ 350 mil, deve ser elevado. O valor mais provável, segundo técnicos, é R$ 500 mil. Ontem à noite, Lula reuniu-se com Dilma e os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e da Comunicação Social, Franklin Martins, para uma última revisão das medidas.
Lu Aiko Otta e Isabel Sobral, BRASÍLIA - O Estado SP
O governo terá R$ 16 bilhões em recursos do Orçamento para o “bolsa habitação”, o programa que subsidiará casas a prestações simbólicas para as famílias com renda de até três salários mínimos (R$ 1.395), informam fontes da área econômica. Segundo o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, esse grupo terá “subsídio total”, ou seja, a casa poderá até sair de graça.
“Será a primeira vez que o Orçamento Geral da União vai aportar um volume tão grande de recursos somente para subsídio.” O dinheiro não será todo desembolsado este ano. Ele sairá dos cofres públicos ao longo dos contratos, que durarão 20 a 30 anos. No entanto, o Tesouro terá de fazer uma provisão conforme os contratos forem assinados. A expectativa dos técnicos é que o grosso do provisionamento ocorra em 2010.
O pacote da habitação, porém, contempla outras faixas de renda. Ontem, o Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aprovou um novo orçamento, que destina um total de R$ 4 bilhões para subsidiar este ano empréstimos habitacionais para os mutuários com renda entre três e seis salários mínimos. No programa inteiro, que pretende construir 1 milhão de casas num prazo indeterminado, os subsídios do FGTS chegarão a R$ 12 bilhões.
Esses subsídios servem para baixar o juro e o valor da prestação da casa própria, segundo explicou o representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Conselho, Jacy Afonso. Os recursos são entregues ao agente financeiro.
No total, o FGTS aprovou ontem um orçamento de R$ 23 bilhões para financiamento da casa própria para as famílias com renda entre três e dez salários mínimos. Foi um acréscimo de R$ 13 bilhões à proposta original. Além dos R$ 4 bilhões de subsídios, haverá R$ 19 bilhões para financiamentos com juros que variam de 5% a 8,6% ao ano.
O pacote da habitação, uma das plataformas de campanha da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República, será anunciado hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva numa grande festa política. Foram convidados todos os governadores, todos os prefeitos de capitais e de cidades com mais de 150 mil habitantes, empresários do setor, senadores e deputados, além de representantes de movimentos sociais ligados à habitação. O lançamento das medidas vem sendo adiado desde dezembro do ano passado.
A construção de 1 milhão de moradias vai criar 532 mil empregos diretos, segundo estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), sob encomenda do governo. O impulso do pacote no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) será de 0,7 ponto porcentual.
“Serão medidas de grande impacto”, disse o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. “É uma alternativa para enfrentar a crise e, sobretudo, para gerar emprego”, disse o vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Wellington Moreira Franco.
Carlos Lupi afirmou que o pacote da habitação não põe em risco a saúde do FGTS. “Não haverá desequilíbrio porque o FGTS tem um patrimônio de R$ 200 bilhões, está saudável e muito forte.”
O Conselho Curador do FGTS também aprovou ontem um acréscimo de R$ 3 bilhões para os projetos de saneamento e de R$ 1 bilhão para renovação de frota de ônibus este ano. Segundo Lupi, esses dois programas criarão 260 mil empregos diretos e vão acrescentar 0,3 ponto porcentual no PIB.
O pacote a ser anunciado hoje também deverá conter medidas para atender à classe média. O valor máximo dos imóveis que podem ser comprados com o saldo do FGTS do mutuário, atualmente em R$ 350 mil, deve ser elevado. O valor mais provável, segundo técnicos, é R$ 500 mil. Ontem à noite, Lula reuniu-se com Dilma e os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e da Comunicação Social, Franklin Martins, para uma última revisão das medidas.
Um apartamento nada ”popular”
Oito das 12 unidades de R$ 13,5 milhões já foram vendidas
Renato Cruz, São Paulo - O Estado SP
Ao mesmo tempo em que o governo lança um pacote para incentivar o acesso à moradia popular, a construtora Adolpho Lindenberg e a imobiliária Sotheby’s oferecem, em São Paulo, no bairro do Morumbi, apartamentos de 1.223 metros quadrados, que custam R$ 13,5 milhões.
Das 12 unidades, 8 já foram vendidas. “Em setembro e outubro do ano passado, sentimos o impacto da crise no mercado de alto padrão”, disse Celso Pinto, diretor da Sotheby’s São Paulo. “Agora, a situação está bem normalizada. Estamos atendendo muitas ligações. Gente que perdeu dinheiro na bolsa agora quer concentrar os investimentos em imóveis.”
O apartamento tem seis suítes, uma delas com dois banheiros, dois closets e terraço, com uma área total de 230 metros quadrados. O imóvel conta com 12 vagas na garagem, sala de lareira e sala de cinema, jardim de inverno fechado e terraço com piscina de 15 metros quadrados.
Segundo o diretor da Sotheby’s, alguns clientes que buscam o apartamento vêm de casas ainda maiores. “O objetivo é simplificar a vida”, explicou Pinto. “É complicado hoje ter um número muito grande de funcionários.” Ele diz que o valor de R$ 13,5 milhões não é alto no mercado de alto padrão. “Existem apartamentos de 980 metros quadrados na mesma faixa de preços.”
Para quem não estiver disposto a desembolsar o pagamento de uma vez, o Banco Santander tem uma linha de financiamento em até 30 anos, com parcelas fixas. Num financiamento de R$ 9,1 milhões, a parcela mensal fica em R$ 89,4 mil. O condomínio custa de R$ 7 mil a R$ 8 mil por mês e o IPTU de R$ 4 mil a R$ 5 mil mensais.
Depois do susto do ano passado, os consumidores de alta renda voltaram a investir em imóveis. “Os lançamentos nessa área não foram suspensos, ao contrário do que aconteceu com alguns residenciais.”
Renato Cruz, São Paulo - O Estado SP
Ao mesmo tempo em que o governo lança um pacote para incentivar o acesso à moradia popular, a construtora Adolpho Lindenberg e a imobiliária Sotheby’s oferecem, em São Paulo, no bairro do Morumbi, apartamentos de 1.223 metros quadrados, que custam R$ 13,5 milhões.
Das 12 unidades, 8 já foram vendidas. “Em setembro e outubro do ano passado, sentimos o impacto da crise no mercado de alto padrão”, disse Celso Pinto, diretor da Sotheby’s São Paulo. “Agora, a situação está bem normalizada. Estamos atendendo muitas ligações. Gente que perdeu dinheiro na bolsa agora quer concentrar os investimentos em imóveis.”
O apartamento tem seis suítes, uma delas com dois banheiros, dois closets e terraço, com uma área total de 230 metros quadrados. O imóvel conta com 12 vagas na garagem, sala de lareira e sala de cinema, jardim de inverno fechado e terraço com piscina de 15 metros quadrados.
Segundo o diretor da Sotheby’s, alguns clientes que buscam o apartamento vêm de casas ainda maiores. “O objetivo é simplificar a vida”, explicou Pinto. “É complicado hoje ter um número muito grande de funcionários.” Ele diz que o valor de R$ 13,5 milhões não é alto no mercado de alto padrão. “Existem apartamentos de 980 metros quadrados na mesma faixa de preços.”
Para quem não estiver disposto a desembolsar o pagamento de uma vez, o Banco Santander tem uma linha de financiamento em até 30 anos, com parcelas fixas. Num financiamento de R$ 9,1 milhões, a parcela mensal fica em R$ 89,4 mil. O condomínio custa de R$ 7 mil a R$ 8 mil por mês e o IPTU de R$ 4 mil a R$ 5 mil mensais.
Depois do susto do ano passado, os consumidores de alta renda voltaram a investir em imóveis. “Os lançamentos nessa área não foram suspensos, ao contrário do que aconteceu com alguns residenciais.”
CONCENTRAÇÃO
Fonte: O Estado SP
Um por cento da população mundial detém 40% das riquezas do planeta. O dado foi publicado ontem pela Universidade das Nações Unidas, que lançou o que considera ser o maior projeto internacional para pesquisar a desigualdade no mundo e as disparidade sociais. A riqueza ainda está concentrada em alguns países. Das pessoas que fazem parte da elite mundial, 64,3% (ou a parcela de 1% dos mais ricos) estão nos Estados Unidos e Japão. O Brasil tem apenas 0,6% desses indivíduos. A pobreza também está concentrada: 25%, com patrimônio inferior a US$ 178, vive na Índia. Na China, 6% e no Brasil, 2,2%.
Um por cento da população mundial detém 40% das riquezas do planeta. O dado foi publicado ontem pela Universidade das Nações Unidas, que lançou o que considera ser o maior projeto internacional para pesquisar a desigualdade no mundo e as disparidade sociais. A riqueza ainda está concentrada em alguns países. Das pessoas que fazem parte da elite mundial, 64,3% (ou a parcela de 1% dos mais ricos) estão nos Estados Unidos e Japão. O Brasil tem apenas 0,6% desses indivíduos. A pobreza também está concentrada: 25%, com patrimônio inferior a US$ 178, vive na Índia. Na China, 6% e no Brasil, 2,2%.
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