segunda-feira, 27 de abril de 2009

PARTIDO OU GOVERNO?

Por: ANGELA PAULA PT/SP

Assistindo alguns discursos de companheiros Deputados Federais sobre as eleições 2010. Lembrei desse texto. Não me lembro da onde tirei.
Acredito que esse texto tem que ser discutido, cada vez mais. Para poder refletir nossa prática.
Como partido que governa, o PT precisa evitar três equívocos.
O primeiro,consiste em não construir um Estado Partido. Esse conceito designa aquela situação criada pelos partidos comunistas tradicionais que exerceram ou exercem o poder nos países socialistas. Esses partidos desenvolveram um modelo de gestão onde o verdadeiro centro de poder e de tomada de decisões não era o Estado, mas o comitê central do partido. A rigor, o Estado Partido é inviável em sistemas democráticos, pois pressupõe a existência de um partido único.
O segundo erro, este mais comum e possível nos regimes democráticos, consiste na estatização do partido governista. A estatização expressa àquela condição em que o partido governista. A estatização expressa àquela condição em que o partido perde sua autonomia frente ao governo obedece inteiramente suas diretrizes, torna-se um partido ávido por cargos, sucumbindo à lógica do governo. Em tais circunstâncias o partido abandona a atividade partidária específica e autônoma na esfera social.
O terceiro tipo de erro que um partido governista pode cometer consiste em fazer um oposição velada ou explícita ao governo. Esta atitude pretende esquivar-se do fato de que, na democracia, o governo se define num embate entre partidos plurais e que o partido vencedor estabelece um contrato de responsabilidade com a sociedade. E na medida em que membros partidários exercem funções governamentais, o partido é co-responsável pelas decisões do governo. A responsabilidade mútua não deve significar que as instituições do partido se tornam o local das decisões governamentais. Significa que o partido, além de sugerir, deve ser solidário com as decisões do governo e emprestar-lhe o apoio público. O partido não está isento de ter propostas e opiniões deve obedecer o critério da mediação, evitando o oportunismo da irresponsabilidade negativa e o adesismo sem propósito.
Os partidos políticos tem uma função complexa, que se expressa numa relação de ambigüidade. Se adotarmos o modelo analítico centrado na dicotomia Estado/sociedade civil, podemos dizer que um partido – principalmente quando exerce o governo – vive em condição ambivalente de se situar nas duas esferas: no Estado e também na sociedade civil.
Um partido pertence à esfera da sociedade civil por ser um organismo de direito privado. Mas na medida em que, no sistema democrático, a escolha de quem governa é mediada pela relação entre partido e eleitor e que o governo é formado com base em partidos e coligações partidárias, torna-se evidente o interesse público em preservar e fortalecer o sistema de partidos. Os partidos, no governo, não devem expressar apenas relação de representação de interesses de indivíduos ou grupos determinados. Devem exercer, por princípio, também uma função de representação dos interesses gerais da sociedade. Isto os situa na esfera pública estatal.
A tradução concreta dessa função ambivalente pode ser visualizada da seguinte forma, no caso do PT ou de qualquer outro partido. Por ter vencido as eleições e participar do governo, o partido deve ser solidário, co-responsável e apoiar politicamente as decisões. Por outro lado, o partido deve manter autonomia em relação ao governo. Essa autonomia deve se expressar por meio de uma atividade própria, especificamente partidária, na esfera da sociedade. Essa autonomia desenvolve também mediante as discussões e decisões que o partido adota em relação às políticas governamentais.São apenas deliberações partidárias que são apresentadas ao governo com o caráter de sugestão.
Os membros do governo filiados ao partido devem levar em conta, de forma mediada, o programa e as propostas do partido. Mesmo que pretenda expressar e representar interesses gerais, um partido governista, num sistema democrático e pluralista, nunca deixará de ser parte. Um partido no governo não pode ter pretensão de representar ou encarnar toda a sociedade. Isto o tornaria autoritário ou totalitário.O governo democrático, embora seja formado à base de partidos, mas um governo da sociedade. O governo deve ser eminentemente público e republicano. Sua relação com os partidos e com as demais instituições da sociedade civil deve ser sempre mediada pelo interesse público geral.

Com base na análise aqui desenvolvida, podemos definir que as prioridades do PT, neste momento, são as seguintes:

1 – Fortalecer a sustentação política do governo na sociedade, no Congresso e junto aos demais partidos;
2 – Discutir e definir propostas e candidaturas partidárias quanto aos principais temas da agenda do país;
3 – Fortalecer a presença do PT junto aos movimentos e grupos sociais, na perspectiva de construir um diálogo positivo quanto às suas demandas e de fortalecer sua autonomia e as práticas democráticas;
4 – Preparar o partido nacionalmente para a tarefa das eleições 2010;
5 – Fortalecer as estruturas nacional, estaduais e principalmente as municipais do PT.


ANGELA PAULA www.pt-sp.org.br/blog/angelapaula

"Um soco no estômago" Comentário do Ex Ministro da Casa Civil Jose Dirceu sobre o tratamento preventivo da Ministra Dilma


Foi essa a sensação que senti ao receber a notícia de que a ministra-chefe da Casa Civil da presidência da República, Dilma Rousseff, estava com câncer e ia dar uma entrevista no sábado (25.04) pela manhã, para anunciar ao país que iniciaria um tratamento quimioterápico preventivo.Na vida não há nada linear, todos sabemos, mas quando chega a hora de enfrentar a realidade dura das derrotas ou doenças, sempre há um momento de suspense e um vazio. Momento, apenas, logo caímos no mundo real e começamos a enfrentar o novo, o aqui e o agora, já que a longa e dura batalha de nossa geração pela vida nos deu experiência suficiente para não aceitar nenhuma derrota sem lutar, sem enfrentar nossos demônios e fantasmas, reais ou virtuais, materiais ou espirituais. Ao ver a imagem da Dilma na TV falando da doença e do tratamento, tive a certeza de que ela vencerá e de que temos que lutar com ela, consolidando sua candidatura no PT, levando seu nome para a sociedade, construindo alianças e os palanques estaduais e, principalmente, elaborando um programa de governo.Com nosso apoio e o do presidente Lula ela sabe que pode contar. Dilma vencerá. E sabe, também, que conta com o PT e com milhões de brasileiros e brasileiras, que vão estar juntos a ela não somente nessa fase e para fazer o tratamento, como para percorrer todo o país levando nossa mensagem de continuidade do projeto que o atual presidente da República encarna, fazendo mais nos próximos 4 anos - depois de vencer a maior batalha da sua e das nossas vidas, que é a de 2010, elegendo-se presidente do Brasil, a primeira mulher a governar o país.

Dilma pode sair antes da hora para campanha. Prioridade agora deve ser acerto nos Estados


Otimista, ela acha ideal desacelerar agora e deixar cargo logo em janeiro

Vera Rosa, BRASÍLIA - O Estado SP

Pré-candidata do PT à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, está tão otimista em relação ao tratamento para combater o tumor detectado em seu sistema linfático que investe nos planos políticos e admite até mesmo a possibilidade de antecipar a saída do governo para janeiro de 2010 para se dedicar exclusivamente à campanha eleitoral. Em conversas reservadas com amigos, no fim de semana, Dilma disse que, se tudo correr bem como preveem os médicos, o ideal será reforçar a maratona eleitoral a partir de janeiro, mesmo porque agora ficará difícil acumular as atividades.

Apesar do ânimo demonstrado por Dilma, tudo dependerá de seu estado de saúde e o assunto é tratado com extrema cautela tanto no Palácio do Planalto como no PT. O afastamento antecipado da ministra, porém, não é consenso. Enquanto alguns avaliam que ela ficará sobrecarregada se tiver de “carregar” as funções de gerente do governo com a candidatura logo após passar por um tratamento delicado de saúde, com quimioterapia, outros acreditam que sua permanência na Casa Civil até o prazo-limite ainda é a melhor vitrine para a campanha. Pela lei, a ministra deve deixar o cargo até 3 de abril de 2010, seis meses antes do primeiro turno da eleição presidencial.

Lula considerou “abominável” a especulação sobre a mudança de candidato do PT. Ficou ainda mais contrariado ao saber que a oposição vislumbra o PT ressuscitando a tese do terceiro mandato para ele, sob o argumento de que o partido não conta com outros nomes eleitoralmente fortes. Para o presidente, análises assim são “infundadas e desrespeitosas”.

LICENÇA

No Planalto e na cúpula do PT não há, por enquanto, nenhum plano para troca de candidato. Na quinta-feira, quando foi informado por Dilma sobre a descoberta do linfoma - tumor no sistema linfático -, Lula chegou a perguntar a ela se gostaria de tirar licença para o tratamento. A ministra respondeu que não seria necessário. Garantiu que pode manter o ritmo de trabalho e até mesmo as viagens, intercalando os compromissos com acompanhamento médico durante quatro meses.

“Não exagere. Cuide-se!”, recomendou o presidente à chefe da Casa Civil. Considerada “caxias”, Dilma trabalha em média 14 horas por dia. Cuida de assuntos tão variados como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o plano nacional de habitação e a camada do pré-sal. Hoje, por exemplo, ela terá agenda cheia em Manaus, ao lado de Lula. Amanhã, também na capital do Amazonas, comandará mais uma reunião de balanço do PAC.

“A nossa preocupação inicial não é com a campanha, mas, sim, com o lado humano”, afirmou o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). “De qualquer forma, todos os prognósticos médicos indicam que ela tem condições não só de manter sua atividade no governo como a candidatura e, no momento apropriado, vamos formalizar isso.”

Amigo de Dilma, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos disse não ter dúvidas de que a chefe da Casa Civil vai superar a adversidade e ser candidata do PT. Thomaz Bastos almoçou no sábado com Dilma e com o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, logo após a entrevista coletiva concedida por ela no Hospital Sírio-Libanês.

Num restaurante da Rua Amauri, nos Jardins, a ministra recebeu a solidariedade de vários eleitores e posou para fotos até com crianças. “Fiquei com a melhor impressão dela sob o aspecto psicológico e físico. Achei que Dilma está muito animada”, contou Thomaz Bastos, que em 2007 enfrentou um câncer no pulmão e hoje está completamente curado.

Nos bastidores, auxiliares de Lula avaliam que a divulgação da doença não só é importante para pôr fim às especulações como vai aproximar Dilma da população, “humanizando” a candidata. Mesmo enfrentando percalços nas negociações com o PMDB para compor as alianças de 2010, o governo espera que a chefe da Casa Civil atinja 20% da preferência do eleitorado até dezembro.

Prioridade agora deve ser acerto nos Estados


Diretórios vêm reclamando que Lula tem ignorado os problemas das candidaturas a governador do PT


Vera Rosa, BRASÍLIA - O Estado SP

A freada que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, dará nos próximos meses em sua campanha para cuidar da saúde deverá garantir o tempo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisa para desfazer os nós políticos regionais que a candidatura enfrenta. Antes da descoberta dos problemas de saúde da ministra, Lula decidira procurar os principais líderes do PT para debelar focos de incêndio provocados pela falta de definição dos processos sucessórios nos Estados. O presidente decidiu agir ao perceber que importantes diretórios do partido ameaçam fazer uma espécie de “corpo mole” no apoio à divulgação da candidatura de Dilma.
Nos últimos 15 dias, Lula contatou o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e o governador da Bahia, Jaques Wagner, na tentativa de reverter esse cenário. Diretórios petistas importantes, como os de Minas, Bahia, São Paulo e Rio Grande do Sul, reclamam que o governo tem priorizado a disputa à Presidência e ignorado os problemas das candidaturas do partido aos governos. Mais: acham que o Planalto até incentiva concorrentes de outros partidos da base, em detrimento dos nomes apresentados pelos petistas.
É o caso da Bahia, onde o PT gostaria que Lula reduzisse o poder do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), e priorizasse o trabalho para reeleger o governador petista Jaques Wagner. Na avaliação da cúpula do PT, Geddel poderá até ser adversário direto na sucessão do Estado ou concorrer ao Senado contra o PT. Com esse argumento, entendem que não faz sentido o governo permitir que um adversário em potencial comande um ministério importante como o de Integração Nacional.
Em Minas, a intervenção do presidente começou a provocar algum resultado. Depois que Lula entrou em campo para conter as cotoveladas entre os aliados, principalmente na seara petista, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel combinou com Patrus fazer um gesto público para indicar que o PT de Minas está unido.
A preocupação com Minas, o segundo maior colégio eleitoral do País, tem motivo: enquanto Pimentel e Patrus brigam pela indicação do PT, o racha na base aliada se aprofunda, tornando cada vez mais difícil a construção de um palanque forte para a chefe da Casa Civil.
O ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), até agora líder das pesquisas para o governo mineiro, ameaça se aliar a Aécio caso o PT não o apoie na corrida ao Palácio da Liberdade. Aécio também é pré-candidato à Presidência e promete enfrentar o governador de São Paulo, José Serra, numa prévia para a escolha do concorrente tucano ao Planalto.
Para Lula, os estilhaços da briga entre as duas alas do PT e o PMDB de Hélio Costa podem atingir Dilma e acabar beneficiando os tucanos. Coordenador da campanha da ministra em Minas, Pimentel procurou Costa, na semana passada, para fazer-lhe um afago. Em público, todos falam em acordo, desde que eles próprios sejam cabeça de chapa.
“O PT tem de saber fazer concessão porque mais de um palanque dá curto-circuito. Sai faísca”, afirma o deputado José Genoino (SP). “O objetivo central é administrar os efeitos da crise econômica e eleger o sucessor do presidente Lula, em 2010. Isso condiciona tudo.??



SEM APOIO



Há Estados, porém, onde o PT e o PMDB são inimigos ferrenhos e irreconciliáveis, como São Paulo e Rio Grande do Sul. Para compensar a falta de apoio do PMDB no principal Estado da Federação, governado pelo PSDB, Lula planeja oferecer a vaga de vice na chapa de Dilma ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP).
Presidente nacional do PMDB, Temer se aproximou bastante do Planalto nos últimos meses. Também tem conversado com frequência com Dilma sobre as dificuldades para a montagem dos palanques estaduais. Nega, porém, que sua candidatura a vice já esteja acertada.
“O PMDB tanto pode ter candidato próprio como apoiar Dilma ou Serra. Temos três caminhos”, diz ele, diplomático. Na prática, o partido quer aguardar até o fim do ano para observar o desempenho da ministra da Casa Civil nas pesquisas e definir seu rumo. “Nós sabemos que o PMDB nunca estará unido e sempre terá um pezinho em cada canoa”, ironiza a senadora Ideli Salvatti (PT), de Santa Catarina, onde os dois partidos também vivem às turras.
Em São Paulo, Lula apelou pessoalmente para a ex-prefeita Marta Suplicy: pediu a ela que ajudasse a divulgar Dilma no Estado. Lula também pediu ao PT e à CUT que aproximem Dilma da área social, principalmente do Movimento dos Sem-Terra (MST).




Força Dilma


Apenas começavam a circular as informações sobre o câncer da ministra Dilma Rousseff, que a especulação sobre sua candidatura ganhou a página dos jornais.
Em 1980, às vésperas de ser eleito presidente da França, François Miterrand foi diagnosticado de um câncer. Apenas empossado começaria seu tratamento e durante 14 anos governou sem que a maioria dos cidadãos de seu país soubessem da doença do seu presidente. Diferentemente do tumor da Dilma, o câncer do presidente francês podia ser retardado, mas era incurável.
Mas enquanto na França a doença do presidente era ocultada aos seus cidadãos, aqui a transparência foi total mostrando que se pode lidar, sim, com a ação política e ao mesmo tempo enfrentar o tratamento de uma doença séria. José Alencar que o diga, ele que com sua coragem e força de viver, serve de guia aos que diariamente enfrentam desafios semelhantes.
Neste momento, tenho certeza que milhares de brasileiros torcem, junto com Dilma, para ela se recuperar rapidamente. Eu torço com eles pela saúde de nossa companheira.



fonte: blog leituras Favre