segunda-feira, 18 de maio de 2009

Assentados da Fazenda Ipanema comemoram 17 anos em Iperó



Uma Sessão Solene foi realizada na Câmara Municipal de Iperó na tarde desta sexta-feira (15/5) em comemoração aos 17 anos do assentamento de trabalhadores rurais na Fazenda Ipanema. O evento, organizado pelo Presidente da Câmara Municipal, vereador Sérgio Antonio Nery (PT), que foi um dos líderes da ocupação em 1992, contou com a presença dos deputados petistas Hamilton Pereira (estadual) e Arlindo Chinaglia (federal), do dirigente nacional do MST, Gilmar Mauro, além de lideranças estaduais e locais do movimento.Hamilton Pereira destacou a importância do assentamento de Iperó na formação de novas lideranças do Movimento e quebra do preconceito, na região de Sorocaba, em relação aos trabalhadores Sem Terra. “Quando chegaram aqui os trabalhadores Sem Terra para ocupar a Fazenda Ipanema houve preconceito, discriminação que grassou em toda a região”, lembrou. “Que bom verificarmos os resultados de hoje. Vocês deram o exemplo de como ocupar, produzir e abastecer as cidades. Esse exemplo nos dá argumento muito forte de que a Reforma Agrária é possível e é fundamental para o desenvolvimento do nosso país”, completou.Arlindo Chinaglia falou da importância de políticas desenvolvidas pelo Governo Lula, que têm colaborado para a prosperidade dos assentamentos de trabalhadores da agricultura familiar, como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos). “Quando falamos da produção de alimentos que serve a Iperó e à própria Paróquia que ajudou a trazer alimentos aos trabalhadores durante a ocupação, e hoje se serve da produção de Iperó, tem muito significado”, afirmou. Arlindo também falou sobre a importância do resgate de trabalhadores rurais que estavam afastados dos espaços de decisão. “O papel do assentamento de Iperó vai além das conquistas materiais e chega à história da cidade e da luta dos trabalhadores, sendo que um de seus exemplos é o próprio Sérgio Nery que chegou à Presidência da Câmara Municipal”, concluiu.O representante do Incra, Osvaldo Jr., destacou que a atuação do Movimento Sem Terra simboliza o “reerguer a cabeça do povo brasileiro”. “As lutas sociais permitem alargar o campo da política pública. Se não são as mobilizações sociais, as políticas não se alargam.”, salientou. Osvaldo também destacou que o ato deveria representar o repúdio à posição do presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Gilmar Mendes, pela criminalização da luta pela terra.O dirigente nacional do MST, Gilmar Mauro, lembrou que o MST completa 25 anos no Brasil. “Dia 13 completou 25 anos de conquista da Fazenda Pirituba, a Área 1, uma das primeiras, ainda no Governo Franco Montoro, a se realizar como assentamento no estado de SP”, afirmou. Ele também destacou que além do sonho da terra, do ponto de vista do indivíduo, o MST se concretizou como movimento e possibilitou recuperar a história da luta pela terra, recolocando a Reforma Agrária “na pauta e na ordem do dia”. Gilmar ressaltou ainda que há muito o que comemorar, porém a Reforma Agrária ainda não existe, mas sim políticas de assentamento. “Não há uma alteração da estrutura fundiária brasileira, que continua altamente concentrada e hoje não só concentrada no latifúndio tradicional, histórico, mas nos grandes grupos econômicos”, salientou. Para o dirigente do MST a Reforma Agrária deve envolver também a preocupação com a lógica de produção agrícola, voltada para a sustentabilidade do planeta.“É por essa razão que falar do MST e da experiência daqui é falar de mulheres e homens que estão produzindo não só a sua subsistência, mas novas formas de sociabilidade dentro do assentamento”, afirmou Gilmar. “É falar de milhares de pessoas que hoje estão estudando medicina, negros, pobres, que nunca tiveram oportunidade na vida e que hoje estão num banco de universidade porque esse movimento permitiu que ele não só tivesse o seu lugar pra produzir, mas resgatasse a sua dignidade e a sua auto-estima pra se transformar em sujeito político das transformações desse país”, concluiu.No início de julho o MST realizará uma jornada nacional na luta pela Reforma Agrária. Em São Paulo uma marcha será realizada de Campinas a São Paulo para recolocar o tema na pauta da sociedade.