sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Boas e más notícias na área econômica

Publicado em 08-Jan-2010
Fonte: Blog do Zé Dirceu

Boas e más notícias da nossa área econômica chamam a atenção hoje. A primeira é uma má notícia só para a oposição que trabalhou e torceu para arruinar a poupança. Em suas inserções de propaganda gratuita no rádio e na TV, o PPS, através do deputado Raul Jungmann (PE) empenhou-se em espalhar o terror entre os poupadores dizendo que o governo ia mexer e tomar a poupança.

Pois bem, funcionou ao contrário: a caderneta bateu recorde em 2009. Os depósitos superaram os saques em R$ 30,4 bilhões no ano passado. Dados do Banco Central indicam que este é o segundo maior volume de superação (entre depósitos e saques) desde 1995, atrás apenas do recorde de R$ 33,4 bilhões obtido em 2007.

Os fundos de investimentos, ao contrário do que se previa, não tiveram queda, cresceram também: sua captação líquida foi de R$ 87,63 bilhões em 2009 e o volume bruto atingiu seu maior valor histórico - R$ 1,41 trilhão. Na área habitacional o volume de empréstimo também cresceu: dos R$ 30,8 bilhões disponíveis, R$ 19,626 bilhões foram contratados, ou seja, mais 48% no comparativo com 2008.

Burocracia e inadimplência

No setor de saneamento, um fracasso: do orçamento de R$ 7,6 bilhões em 2009 do ano passado, só foi contratado R$ 1, 046 bilhão, ou seja, 72% a menos do que no ano de 2008. Já na área de infraestrutura urbana, em conseqüência da crise internacional e da retração do BNDES - o agente financeiro mais importante do setor - o resultado foi nulo, não houve empréstimos.

Nesse campo, continuamos sem resolver os problemas financeiros e de gestão das empresas estaduais e municipais de saneamento que por isso não podem tomar empréstimos. A realidade nua e crua é que muitas estão simplesmente insolventes ou inadimplentes com o governo federal.

A realidade é que continuamos convivendo com os velhos problemas da burocracia e da inadimplência das empresas públicas de saneamento e com a falta de projetos ou mesmo da judicialização das licitações e obras públicas. Sem falar nos problemas ambientais e administrativos, e nos de controle e fiscalização que, via de regra, travam nossos programas de infraestrutura.




quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Subindo na vida sem loteria: três casos do Brasil real



Vamos começar 2010 com esse artigo do grande jornalista Ricardo Kotscho (Balaio do Kotscho), que demostra com clareza os bons tempos que essa parte da sociedade, a maioria antes esquecida, esta começando a viver. Alguns anos atrás essas histórias seriam impossíveis, mas hoje.... olhem ao lado, tenho certeza que todos nós temos boas histórias e exemplos como esses para serem contados.

Um belo começo de ano a todos(as)!!!!!


Subindo na vida sem loteria: três casos do Brasil real

A manicure carioca estava vivendo sua primeira aventura num cruzeiro. No meio da viagem de navio para o nordeste, cruzou com uma cliente do seu salão, que ficou surpresa ao encontrá-la:

_ Nossa! O que você está fazendo aqui? Ganhou a viagem numa promoção?

_ Não, por que? Você por acaso ganhou a passagem numa promoção? Eu estou pagando a minha…

Na volta ao salão, dias antes do Natal, a manicure reproduziu a cena e o diálogo às suas colegas e freguesas. Entre elas, estava a minha amiga Cecília Maia, jornalista de Brasília, que está passando férias com a família aqui em Toque-Toque Pequeno, e me contou esta história, um dos três casos do Brasil real que recolhi estes dias na praia.

No post anterior, ficamos sabendo da virada na vida do seu Adolfo, o humilde jardineiro de Santa Rita do Passa Quatro, que de um dia para outro ficou milionário ao ganhar R$ 72 milhões na Mega Sena. O que aconteceu com ele, que logo viu o sonho virar pesadelo, foi belíssimamente contado na quarta-feira em reportagem de outro amigo, Ricardo Galhardo, aqui mesmo no iG.

Para milhões de brasileiros como a manicure carioca, no entanto, não foi preciso ganhar na loteria para subir na vida e fazer coisas que nunca havia feito antes, como esta viagem de navio. Os passageiros desta chamada nova classe média entram em 2010 com novos sonhos e planos de vida.

É o caso do piscineiro José Cícero de Gois Lima, 37 anos, pernambucano de Caruaru, que há vinte anos veio trabalhar nos condomínios de Toque-Toque Pequeno. Na segunda-feira, eu estava aqui na varanda da minha casa, escrevendo o primeiro texto do ano novo no meu velho notebook, quando ele veio timidamente me perguntar:

_ O senhor tem youtube aí?

Confesso que fiquei um pouco intrigado e quis saber qual o motivo da pergunta dele. A resposta me deixou mais surpreso ainda:

_ É que eu fiz uma música que está no youtube e queria mostrar para o senhor…

Digitei o nome da música “Só Deus que faz chover” e, de fato, lá estava um vídeo com o nome dele cantando uma das suas composições:

Foi Deus
Que criou o céu
E o por do sol
Do entardecer
Foi Deus que criou a noite
E o lindo sol do amanhecer.
Deus fez as nuvens e o mar
Rio de água doce
Pra beber
A natureza que Deus deixou
Se não cuidar pouco a pouco
Vai morrer.
O homem polui os rios
E o ar puro
Que Deus deixou
A ambição do homem
Foi tão longe
Até o clima do tempo
Já mudou.
Só Deus que faz chover
Só Deus que faz parar
Só Deus que pode
Mudar o rumo do vento
Pra onde quer que vá.

Mais espantado fiquei ainda não só com a beleza da música, num ritmo que lembra o sertanejo, mas principalmente com a atualidade dos seus versos nestes dias de verão em que parece que a terra está derretendo.

Para 2010, Zé Cícero, como é conhecido, tem dois planos: gravar um CD com suas músicas e terminar o segundo grau para poder se inscrever no Prouni e fazer uma faculdade. Quer ir mais longe que seu pai, que era barbeiro em Caruaru, mas sempre sonhou, apenas sonhou em estudar arquitetura.

O ex-pescador Jorge de Matos, 50 anos, nascido aqui mesmo no Toque-Toque Pequeno, de onde nunca saiu, filho e neto de pescadores, já entra em 2010 com seu sonho realizado. Em setembro, ele finalmente inaugurou seu restaurante, o “Toque Caiçara”, num puxadinho da casa onde mora, um projeto que ele acalentou durante os últimos 14 anos, desde que o conheci, quando abriu um quiosque na praia.

Enquanto construí minha casa, no final dos anos 1990, aluguei um quarto na casa dele para acompanhar as obras, e ficamos amigos. Toda vez que o encontrava, Jorge falava da idéia de abrir um restaurante com comida caiçara para atender à crescente clientela de turistas que alugavam as casas dos pescadores, hoje a principal fonte de renda da maioria deles.

Ver a alegria deste brasileiro mostrando as instalações do seu restaurante modesto, mas bonito e aconchegante na sua singeleza, já valeu a viagem. Ao lado da sua companheira, a jornalista Nely Noemy, 45 anos, competente editora dos telejonais do SBT e da Record por mais de vinte anos, ele mesmo cuida de tudo.

Entre outros acepipes praianos, o cardápio oferece mariscos colhidos ali mesmo nas pedras da praia e uma bela garoupa azul marinho cozida com banana verde. Na varanda do restaurante, um frondoso pé de bacupari, uma fruta típica de verão, oferece sombra e a matéria prima para uma batida que só tem lá, feita com saquê.

Felizes e orgulhosos com sua obra, Jorge e Nely sentam-se à mesa com seus fregueses, depois de servir os comes e bebes, lembrando antigas histórias de pescadores dos tempos em que aqui só viviam duas famílias, os Matos e os Oliveira, antes da chegada de Yoshiro Takaoka, o grande empreendedor imibiliário que plantou condomínios pelo país afora, e achava este lugar o mais bonito do mundo.

FONTE: Balaio do Kotscho / acesse: http://colunistas.ig.com.br/ricardokotscho/